Como aumentar o interesse da mulher em sair com você

Você percebeu que seus encontros tem sido muito sem graça,não tem sido como você espera, se antes vocês saião para jantar em um restaurante romântico, e agora ele te leva para comer ali mesmo no barzinho na esquina da sua casa,parece que ele não está mais preocupado em fazer as coisas para te agradar, esse é um sinal que ele perdeu o interesse. Se ela realmente considerar você como importante,a sua ausência irá fazer falta na vida da garota. Esse é o princípio da escassez,por você não estar mais perto ou satisfazendo os desejos da gata. Ela irá sentir a sua perda,isso pode aumentar o desejo que a mulher tem por você e até a disposição de satisfazer suas necessidades. Você sempre sofre para entender as mulheres da sua vida? Não precisa se preocupar tanto assim — não tem mistério. O segredo é deixar as suposições de lado e conhecê-las como pessoas. É possível entender o que uma mulher pensa, seja ela uma conhecida, uma parente ou uma parceira romântica, se você dedicar um tempo para conversar com ela e ouvir o que ela tem a dizer com atenção. Pelo contrário, você apenas entrará para o coração da garota como alguém especial. 8. Divida seu olhar entre os olhos e a boca da mulher. O contato visual é fundamental na conquista. Mas você não quer ficar encarando somente os olhos dela durante toda a noite. Daí entram os lábios. Olhar nos olhos significa que você se interessa por ... Seja como for, se você realmente ainda tiver interesse pela sua amiga, o que você vai precisar fazer é chegar nela, tal como você faria com qualquer mulher. A única diferença é que, antes de você chegar nela, você vai precisar mostrar como você mudou, como você está bem e como você já não tem interesse pela sua amiga. O que fazer quando ela perde o interesse? O que geralmente pode ter acontecido neste caso: – Ou você falou alguma merda e ela ficou puta, mas ai nesse caso você provavelmente ia notar isso. – Ou simplesmente a sua abordagem perdeu fôlego. O que você não deve fazer é tentar a todo custo chamar a atenção dela – isso não funciona. S. e uma garota não está te emitindo certos sinais de interesse, então é muito fácil assumir que ela não está nenhum pouco interessada por você.. Esse talvez seja o maior erro que os homens cometem. A maioria dos caras tem uma capacidade terrível de avaliar se uma mulher está realmente interessada neles ou quer apenas amizade. Se você se sente infeliz e obsecado por uma ex-namorada veja os outros artigos do site, em especial o como lidar com a rejeição e como ganhar confiança com as mulheres. Este artigo fala de técnicas de recuperar a atração quando você conheceu uma mulher, saiu com ela algumas vezes e agora parece que ela está a perder o interesse. A libido é o desejo sexual de uma pessoa. Se a sua libido é baixa, você pode estar interessado em aprender a aumentá-la e tornar seus relacionamentos mais íntimos. Tenha uma atitude mental positiva e mantenha seu nível de estresse baixo. Se você se sentir bem e confiante pode sentir-se mais sexual e atraente para o seu parceiro. O estresse prolongado pode levar a um menor interesse no sexo. Se você estiver a fim, diga algo como 'Eu fiquei pensando o dia inteiro em sentir as suas mãos me tocando'. Se o tempo for curto, pergunte se ele quer dar uma rapidinha antes de sair para o trabalho ou outro compromisso. Ele vai ficar excitado independentemente da forma que você falar.

Ou os dois são loucos ou nenhum é.

2020.07.06 00:45 dukaymon Ou os dois são loucos ou nenhum é.

Dia 1: Mário pega no carro e foge, saindo do concelho.
Dia 2 a dia 10: após abandonar o carro num parque de estacionamento a 230 km de casa, Mário esconde-se num pinhal e aí fica até acabaram as poucas latas de comida que trazia na mochila.
Dia 11 a dia 33: alimentado-se de frutas e vegetais que vai roubando de campos agrícolas e sem nunca ficar no mesmo sítio mais do que um dia, Mário encontra-se já a 300 km de casa, perto da fronteira.
Dia 33 a dia 77: sem se atrever a aproximar-se da civilização, por medo que o reconheçam (e não só), no meio do mato Mário encontra refúgio num casebre abandonado, envolto em silvas e arbustos, que funcionam como camuflagem, impedindo que mesmo o transeunte mais atento pudesse vislumbrar o edifício aí escondido. Na praia deserta que fica a 500 metros do local, Mário obtém o alimento que precisa e bebe a água da chuva que se acumula num pequeno tanque decrépito atrás do casebre.
Dia 78: Mário tenta pôr fim a tudo.

"Desculpem-me o mal que vos causei", lia-se na carta, "mas quero que saibam que, tal como rio rebenta o dique e inunda os campos em seu redor, se vocês sofrem por minha culpa, é porque não consegui conter em mim tanto sofrimento."
Dobrou a folha ao meio e deixou-a sobre um banco. Uma lágrima tinha esborratado o texto, deixando uma das palavras totalmente ilegível e, de forma parcial, a palavra que lhe antecedia e a palavra seguinte, mas ele nem reparou. Também não interessava, provavelmente ninguém iria descobrir aquela carta.
Levantou-se, saiu do casebre e caminhou nervosamente até à arriba de onde decidira que haveria de ser conduzido pela gravidade até ao abismo álgido e salgado que o tinha vindo a seduzir sempre um pouco mais de cada vez que o contemplara.
Era um dia ventoso e borralhento, mais ventoso ainda à beira mar, no cimo da falésia. Lá em baixo o mar castigava as rochas impassíveis que outrora haviam estado cobertas por um amplo lençol de areia.
Mário olha para baixo e murmura sofridamente:
-Como é possível que isto já tenha sido uma praia, e eu tenha sido tão feliz nela!
E não contém as lágrimas quando à mente lhe vêm as imagens dos longos e soalheiros dias de verão passados naquele lugar com os amigos, na adolescência.
Vinte anos separavam essas memórias do presente, vinte anos que, a bem dizer, pareciam cem ou mesmo vinte anos vividos por uma pessoa diferente, de tão antipodal era o seu estado de alma na altura em que decide suicidar-se, face à alegria, a energia e o fulgor do seu espírito na juventude.
Mário tentava sempre, quando ainda fazia um esforço para não desistir de viver, impedir-se de recordar esses bons momentos do passado, por saber que lhe agravavam a dor do presente. "O mau não parece tão mau a quem nunca conheceu o bom. Tomara que nunca tivesse experimentado a felicidade!", pensava ele.
Mas agora que está prestes a acabar tudo, que mal advinha de deleitar-se uma última vez com o sol e o calor desses Verões longínquos? A dor terminaria em breve.
- Seja esta a minha última refeição de condenado, um festim para as sensações! - disse ele.
A sua mente é então invadida por todas essas boas recordações que tanto procurara reprimir: as gargalhadas de fazer doer a barriga, os planos e objectivos idílicos para o futuro, a descoberta do prazer da sexualidade, as fogueiras acendidas pouco antes do Sol mergulhar no mar, com o intuito de obrigarem a praia a dar palco à sua puberdade até durante a noite.
Mário trauteia uma música da adolescência, de um desses Verões insuportavelmente felizes, e conforta-se com acreditar que dentro dos vãos e grutas daquela defunta praia ainda é possível ouvir o eco da sua melodia.
No alto do precipício o vento fustiga-o, e ele, de olhos fechados, imagina-o como sendo os seus amigos a saltarem para cima dele em jeito de brincadeira.
Esteve assim largos minutos, a colher quanta felicidade podia colher de um campo de alegrias já ceifado há muito. Até que a noção do presente retorna, para converter essa alegria em suplício: a realidade desesperante que põe fim à miragem de um oásis.
A chuva começava a cair tímida e lentamente, mas era perceptível que se estava a tornar ligeiramente mais forte a cada minuto que passava. Mas o vento, pelo contrário, seguia o sentido oposto ao crescendo da chuva.
-Ah, sim, o último banho do meu último dia de praia - diz Mário sarcasticamente, no seu habitual exercício de auto-comiseração, levantando a cabeça para encarar a chuva.
- Basta! - resmungou ele, cheio de repulsa de si mesmo, por não conseguir deixar de tratar com sarcasmo nem mesmo aquele que era o momento mais sério da sua vida.
Dito isto, baixa a cabeça, fita o abismo, vendo o mar que parecia aumentar de fúria, ofendido com a indiferença dos rochedos, e, sem ponderar um segundo, por medo que a coragem lhe viesse a faltar, dá aquele que pretende que seja o último mergulho da sua vida.
Mantém os olhos fechados e sente nos ouvidos o assobio do ar, que sobrepõe-se ao som da ira do oceano. E assim vai descendo, até que, de súbito, vê as memórias da sua vida, que naquele derradeiro momento parecem-lhe mais vívidas do que alguma vez pareceram, darem lugar a memórias estranhas e alheias a tudo o que vivera, e mas mais bizarro ainda: vê-as, não da sua perspectiva, mas da perspectiva de outra pessoa, que ele não fazia ideia de quem era.
Assustado, abre os olhos de repente e vê o mar a uns quantos metros de distância. Depois disso não se lembra de mais nada.

Quando acordou, Mário deparou-se com uma enfermeira que, empunhando uma seringa, tentava encontrar uma veia no seu braço. Ao vê-lo acordar, a enfermeira apressa-se a chamar um médico.
- O que é que aconteceu? - pergunta Mário, desorientado, ao médico que lhe auscultava o peito.
-Não se lembra do que aconteceu? - pergunta o médico. - O senhor atirou-se de uma falésia. Por sorte, ou mesmo por milagre, caiu numa zona em que a água tinha profundidade suficiente para que não tivesse morte imediata nas rochas. O hospital irá contactar a sua mulher e o o seu filho para informá-los que o senhor já se encontra consciente.
-Desculpe!? Mulher e filho? Eu sou solteiro e vivo com os meus pais! Enganou-se no paciente.
O médico, surpreendido, observa a sua ficha clínica e pergunta-lhe:
- Você não se chama Mário Costa Figueiredo?
-Sim - respondeu Mário.
-Então não há nenhum engano!
-Não, desculpe, há de certeza um equívoco... - retorna Mário, irritado e, ao tentar levantar os braços em protesto, repara que um deles estava algemado à cama.
- Ah, sim já me lembro, apanharam-me finalmente! Mas eu não tenho família nenhuma! Nem sou responsável pelo crime que me atribuem!
O médico calou-se, na dúvida entre estar perante um legítimo caso de amnésia ou um criminoso a mentir para tentar passar a ideia de que estava inocente.
Disse: "eu volto já" e afastou-se.
Os dois polícias que estavam de vigia à porta da sala onde Mário estava internado entraram assim que o médico avisou-os que ele tinha acordado e, a alguma distância, fitaram-no com cara de poucos amigos e trocaram entre si palavras que Mário não conseguia ouvir.
Provavelmente insultos, pensou Mário.
E pela razão certa, mas não contra a pessoa certa. Mário era suspeito de matar uma mulher grávida. O crime fora gravado e a cara dele tinha aparecido na televisão, mas não era ele.
Porém, o facto de se ter posto em fuga não fizera nenhum favor à sua reputação de auto-proclamado inocente, embora se ele próprio se tinha visto em vídeo a cometer aquele crime hediondo, seria impossível parecer mais culpado mesmo que tivesse ficado placidamente sentado no sofá à espera que a polícia arrombasse a porta de sua casa para o prender.
Setenta e oito dias em fuga andou Mário, até ser encontrado inconsciente na praia, após a tentativa falhada de suicido.
Mas porque fugiu Mário? E porque se tentou matar? As respostas, que parecem óbvias - não ser injustamente condenado por homicídio e estar cansado de viver como um pária fugitivo - não satisfazem totalmente as perguntas. Se esses foram factores a ter em conta, havia contudo algo de mais profundo, mais inquietante e mais assustador - ele fê-lo porque, no seu íntimo, sentia-se de alguma maneira culpado pelo crime que não cometeu.
Um Mário completamente seguro da sua inocência talvez não fugisse se o acusassem de um crime cometido por outrem. E decerto que jamais aceitaria carregar a culpa alheia por um crime, mesmo que todas as testemunhas jurassem pelos parentes defuntos que o tinham visto a disparar a arma. Nem mesmo que ele se tivesse visto a matar a vítima, como de facto viu. Nem mesmo que a sua vida dependesse disso. Mário estava inocente e sabia-o com toda a certeza, mas sabia também, com equivalente grau de certeza, que era (um pouco) culpado.

Mas os problemas de Mário não começaram com o homicídio.
Um estranho acontecimento ocorrido vinte anos antes, fora o que dera início à inexorável descida de Mário ao abismo.
Mário sempre jurou que pouco tempo antes do acidente que o tinha deixado desfigurado, tivera uma premonição. Um sentimento repugnante, um misto de desespero e medo avassalador, acompanhado por um arrepio na espinha, que sentira ao ver um relâmpago cair no sítio onde meses mais tarde seria atropelado por um carro.
Estropiado e desfigurado, não foi mais capaz de arranjar emprego e muito menos manter uma vida amorosa com uma mulher. Tinha passado os últimos vinte anos da sua vida a viver em casa dos pais, dependente destes, sem quase nunca sair à rua. Um adulto que nunca experimentara ser adulto, alguém que ia envelhecendo mas cuja vida parara para sempre na adolescência.
Sem coragem para matar-se, a única coisa que desejava, dia a pós dia, era a morte.


As provas não deixavam margem para dúvida: as impressões digitais recolhidas no local do crime eram dele, bem como ADN. Se ele não era culpado deste crime, as prisões estavam cheias de inocentes.
E no entanto não era culpado, asseverava ele com toda a convicção e honestidade possíveis de se encontrar num inocente injustamente acusado.
Mário foi condenado à pena máxima. A "sua" mulher esteve presente no julgamento, chorosa, desolada, horrorizada. E na cara de Mário era patente a incredulidade de um viajante do tempo que encontra no futuro um mundo tecnologicamente impossível de conceber na sua era. Estarei louco?, pensou ele. E foi nisso que preferiu acreditar, confrontado com a sua "nova" realidade. Mas não cometi aquele crime, posso estar louco mas não sou assassino!
A mulher visitou-o relutantemente apenas uma vez na prisão. Quando, durante essa visita, ele lhe disse que nunca a tinha visto na vida e que não tinha filho algum, nem com ela nem com ninguém, ela sentiu alívio por ter sido ele a pôr fim a tudo. Se fosse eu a rejeitá-lo, ele ainda me mandava matar!, pensou ela à saída da prisão.Mário depressa se aclimatou à vida de recluso, que ele não considerava pior que a vida miserável que tinha levado durante os últimos vinte anos, enclausurado em casa dos pais. Ao fim do primeiro ano, Mário decide escrever um livro, uma espécie de biografia "barra" apologia da sua inocência.
Falou da premonição, do acidente meses mais tarde, da visão que teve quando se tentou matar; tentou demonstrar o seu álibi para a momento do crime e falou das suas famílias: a verdadeira, os pais, dos quais nunca mais teve notícia e nunca mais não foi capaz de encontrar, como se nunca tivessem existido (a casa onde viviam também não existia), e da nova família e nova vida que o universo lhe atribui depois de se ter atirado da falésia.

O manuscrito chamou a atenção do psiquiatra que acompanhava Mário. O psiquiatra tinha diagnosticado Mário com amnésia retrógrada e classificara as memórias anteriores ao acidente de confabulações.
O psiquiatra tinha um amigo, Alexandre, um sujeito lunático mas interessante, que tinha interesse no ocultismo, em particular na parapsicologia. O psiquiatra, Carlos de seu nome, que gostava de ficar a ouvir o seu amigo e antigo colega de faculdade a debitar disparates fantasiosos mas originais quando se encontravam aos domingos à tarde, na casa deste último, sempre com um leve sorriso de troça na cara, sem, contudo, ser desrespeitoso e sem que Alexandre levasse a mal, decidiu mostrar-lhe uma cópia do manuscrito, com a autorização de Mário.
Numa terça-feira de manhã, no caminho para o trabalho, Carlos parou na casa do seu amigo e entregou-lhe o manuscrito, na expectativa de ouvir Alexandre discorrer sobre o assunto no domingo seguinte.
- Olha o que um recluso lá da prisão escreveu. Diverte-te.
E saiu um pouco apressado, pois já ia atrasado.
Domingo chegou, e, para quebrar o hábito, era Alexandre que batia à porta de Carlos logo após o almoço e não o inverso, como sempre sucedera. Estava nervoso e efusivo, como um adolescente prestes a perder a virgindade.
- Tenho de falar com esse tipo. A que horas podem os prisioneiros receber visitas? - perguntou Alexandre.
Carlos tentou demovê-lo, pois não lhe agradava a ideia que um doente mental como Mário, e ainda por cima um paciente seu, fosse influenciado por um excêntrico como Alexandre, por mais bem-intencionado que fosse. Discutiram e foram-se zangando gradualmente mais com o decorrer da discussão. No fim, para não arruinar aquela amizade que ambos prezavam, Carlos concedeu que Alexandre visitasse Mário, até porque não havia maneira legal de o impedir.

O dia em que Mário e Alexandre se conheceram chegou, e, assim que Mário o viu, pensou tratar-se de algum daqueles "novos" parentes ou amigos da sua realidade pós tentativa de suicídio.
- Ah, sim, você é o tal amigo do psiquiatra - disse Mário, aliviado por não ser nada daquilo que esperara.
Alexandre disse que lera o livro e Mário interrompeu-o:
-Deve pensar que eu sou maluco ou mentiroso, não é? - acrescentou ele.
Houve uma pausa e Alexandre, num tom sério, respondeu:
- Não, não acho...
Os olhos de Mário acenderam-se e, após alguns uns segundos, perguntou:
Quer dizer que você... acredita?
Uma pausa, mais longa que a anterior, separou a pergunta de Mário da resposta de Alexandre. Alexandre aproximou a cara do vidro e, como que reconfortando um amigo em sofrimento, diz com voz baixa mas firme:
- Acredito.
Mário pergunta imediatamente, incrédulo e extático:
-Acredita que eu sou inocente ou no resto? Ou em tudo?
Alexandre diz:
-Acredito que teve de facto aquilo a que chama de "premonição". Acredito que viu o que viu quando se atirou para o mar e, embora não descarte a hipótese de amnésia, creio que é possível que esteja a ser sincero quando diz que a sua família não é de facto a sua família. Quanto ao crime, devo ser a única pessoa no mundo que não está convicto da sua culpabilidade.
Mário não sabia o que achar. A realidade para ele não fazia sentido. Se ele próprio vira-se a cometer o crime e sentia-se um pouco culpado por isso, embora soubesse que não o cometera, e se havia provas irrefutáveis que apontavam para si, como é que era possível que alguém duvidasse disso, ainda para mais um total desconhecido como Alexandre? Uma realidade em que Mário era casado e tinha um filho, era uma realidade em que também podia existir alguém como Alexandre. Mas provavelmente estava louco, como preferia acreditar.
Quase a chorar, Mário pergunta:
-O que o leva acreditar em mim?
Alexandre diz:
-Conhece o conceito de doppelganger?
- Sósias? Sim - respondeu Mário.
-Certo - retorquiu Alexandre-, mas não me refiro somente a pessoas apenas com similaridades físicas com outras pessoas sem parentesco. Falo de uma relação entre dois ou mais indivíduos que vai além do que é meramente o aspecto físico, a uma relação de transcendência psicológica, uma ligação talvez metafísica entre mentes.
-Desculpe, mas não acredito nessas coisas - retrucou Mário. - E não vejo o que tem isso a ver com o meu caso. Está a querer dizer que foi um sósia meu que cometeu o crime?
-Não acredita, mas no entanto jura que a sua família foi trocada, que não cometeu o crime apesar das evidências e que viu a vida de outra pessoa à frente quando tentou matar-se. Se não acredita, então só podemos concluir que é louco, certo? E para além disso, é você que afirma ter tido uma "premonição". Ora, não acredita em si próprio? Loucura por certo...

Mário, sentiu-se tocado. Nunca revelara a ninguém que achava que talvez estivesse louco. Mas que outra explicação haveria?
-Não me diga que o meu sósia também tem o meu ADN e as minhas impressões digitais? - disse Mário, um pouco desdenhoso. - E quando eu falei de premonição, se você leu mesmo livro, decerto se lembrará que não invoquei explicações paranormais. Eu senti que algo de mau ia acontecer, e aconteceu. Foi apenas isso, um sentimento. Se eu "adivinhei" o futuro ou se foi um sinal "dos Céus" abstenho-me de especular.
Pense nisto - disse Alexandre-, tal como duas pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre si, podem acertar nos números da lotaria, também é possível, mas extremamente improvável, que duas pessoas tenham o mesmo ADN. A probabilidade é tão baixa que no mundo você não encontrará ninguém geneticamente igual a si, mas se a população mundial fosse suficientemente numerosa, seria possível encontrar; e quanto mais numerosa fosse, mais probabilidade haveria. Seriam seus "gémeos" idênticos, apesar de não serem filhos dos mesmos pais... - Mário ia dizer algo, mas Alexandre aumentou e apressou a voz de modo a impedido de exprimir-se. - Quanto à premonição, se você pressentiu algo de mau que iria acontecer meses depois, então é óbvio que temos de recorrer a explicações não usuais para isso, pois prever o futuro não é considerado possível pela ortodoxia científica. Dou-lhe o seguinte exemplo como forma de fazê-lo perceber melhor onde quero chegar:
"Há várias décadas, na Austrália, um homem, incapaz de adormecer, decide ir à varanda para apanhar ar. No momento em que vê a lua cheia sente uma repulsa macabra inexplicável, como nunca tinha sentido, um mal-estar físico como se tivesse ingerido algum veneno. Era perto da meia-noite. No dia seguinte, a polícia bate à sua porta e informa-o que a sua filha fora assassinada. O médico legista determinou que ela tinha sido morta por volta da meia-noite.
"Não havia maneira do pai saber que a filha estava a ser assassinada a dezenas de km de distância, no entanto esse acontecimento foi sentido por ele de algum modo, a não ser que acreditemos que se tratou de uma coincidência.
"Isto costuma acontecer também com gémeos idênticos, em que um deles é sensível ao que se passa com o outro."
-Continuo sem perceber o que tem isso a ver comigo - disse Mário.
-Da mesma forma que a mente consegue sentir a dor ou alegria de alguém que nos é biologicamente próximo, ou mesmo idêntico, você, como confessou no seu livro, talvez sente-se um pouco culpado pelo crime porque aquele poderia ser o seu irmão gémeo ou algum "clone" sem relação a si, como referi há pouco. Esta - um irmão gémeo - seria a explicação mais simples, e portanto mais plausível, para o sucedido. Mas como acreditar nisto se você próprio confessou o crime na sua carta de despedida? E se eu acreditasse nisto não estaria aqui.
Mário ficou atónito:
-Desculpe?
Alexandre, que não estava surpreendido com a surpresa de Mário, não que achasse que ele estava amnésico ou a fingir, diz:
-Sim, após acordar no hospital você revelou o seu esconderijo à polícia e lá encontraram a sua carta, na qual desculpava-se pelo sofrimento causado à sua mulher e filho e confessava o homicídio da sua amante grávida. .
-Não, lamento, isso não aconteceu. Eu escrevi uma carta, sim. Mas como tem você conhecimento disso? - pergunta Mário. Que um estranho tivesse conhecimento de uma carta que nem a polícia que investigou o crime e perseguiu Mário durante quase três meses conhecia, seria motivo de estupefacção e medo para qualquer pessoa, mas em Mário, que já passara e continuava a passar por coisas mais bizarras, isso não causou tanto espanto como deveria. Mário acrescenta:
-Mas não escrevi isso que diz. E para além disso, a polícia, que eu saiba, nunca encontrou a carta porque eu, com vergonha, nunca mencionei o esconderijo. Não queria que a minha carta de despedida fosse descoberta tendo eu sobrevivido, seria vergonhoso demais. Mas em nenhum parágrafo da carta admiti o crime, pois não o cometi. Apenas pedia desculpa aos meus pais pelo sofrimento que lhes causei, motivado pelo sofrimento que eu sentia.
-Lembre-se, eu acredito que esteja a ser sincero quando diz o que diz. E que essa sinceridade não advém das confabulações em que um amnésico acredita, mas correspondem aos factos.
"Eis o que eu acho: você não matou aquela mulher. Mas você também matou-a. E as suas duas famílias são ambas suas mas não ao mesmo tempo. E as memórias que viu na mente são suas e e não são suas, pois foram e não foram vividas por si.
"Aquela sua premonição, tida no momento de uma descarga de energia - o relâmpago - foi a recolecção, por parte da sua mente, da informação de um evento que tinha acontecido no futuro, mas um futuro doutro universo, futuro esse que, em relação à linha temporal do nosso universo, seria um acontecimento do passado. Doutro modo, você não poderia ter tido a premonição, pois a causa (o acidente) teve de anteceder o efeito (a premonição do acidente) para que aquele pudesse ser previsto. Como, de acordo com as leis da física, as causas nunca antecedem os efeitos, o acidente teve de ocorrer primeiro noutro universo para que o conhecimento dele neste universo pudesse anteceder o seu acontecimento neste universo. É esta, a meu ver, a explicação para o fenómeno vulgarmente denominado «premonição»: a falsa «previsão» do futuro que não é mais que a lembrança, neste universo, de um evento já ocorrido noutro universo e que irá também ocorrer neste. E falo da verdadeira premonição, não da ilusão de premonição que advém das naturais falhas e vieses cognitivos da mente humana."
-Agora você já está a abusar- disse Mário. - Ou você é mais louco do que eu ou está a fazer pouco de mim.
Alexandre esboçou um sorriso, mas logo ficou sério:
- Não, repare, o que eu lhe estou a tentar dizer é que acredito que cada um de nós tem pelo menos um outro "eu", e talvez uma infinidade de "eus", que existem simultaneamente connosco, mas não aqui. O que acontece, na minha opinião, é que, por razões que ainda não vislumbro, às vezes esse(s) diferente(s) universo(s), ou partes dele(s), como você, ou eu, ou uma cadeira, ou uma árvore, ou um simples átomo, cruza(m)-se com o nosso, da mesma maneira que duas linhas de pesca se emaranham ao cruzarem-se, ou como dois fios de electricidade, que correm paralelos de um poste ao outro, tocam-se quando há vento. E ao fazerem-no podem trocar matéria, energia e informação. As memórias que você viu, e que se calhar irá ver com mais frequência, ou nunca mais, são as memórias do seu outro "eu" de um universo paralelo, com o qual você trocou informação. A "nova" vida que todos dizem ser sua após a queda no mar, talvez não seja mais que a "sua" vida de um universo paralelo. Talvez você não seja deste universo, ou talvez sejamos nós, e quando digo nós refiro-me à totalidade do que existe neste universo, que estejamos a mais; se calhar este universo, ao emaranhar-se com outro, foi esvaziado do seu conteúdo original, excepto você, e preenchido com o conteúdo desse outro universo. E agora você, neste seu universo, paga pelo crime que o seu outro eu cometeu naquele nosso universo. E o seu outro eu deve andar por lá livre como um passarinho. Que bela forma de escapar à justiça, não acha?
"E às vezes, creio que acontece o seguinte: quando dois universos se «cruzam» apenas um deles recebe matéria ou energia do outro. É esta, a meu ver, a origem de alguns doppelgangers. Que podem ser de pessoas, animais, plantas ou coisas inanimadas.
"É natural que se sinta culpado do crime, foi você que o cometeu. Se um pai é capaz de sentir uma filha a ser assassinada e um gémeo a dor de outro gémeo, como não havia você de sentir o que você próprio fez?"
Mário abanou a cabeça como quem está farto de ouvir baboseiras e levantou-se da cadeira.
-A visita acabou - disse ele ao guarda. E foi reconduzido à sua cela.
Devo estar louco, de facto. E se calhar até cometi o crime e não me lembro. Se calhar estão todos certos. Mas aquele tipo também não devia andar à solta, pensou Mário. E talvez estivesse certo também.
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2020.05.27 01:41 Luisectoid Uma história sobre a ascensão do Nazismo e a necessidade de fugir do país

Com as notícias de hoje, bem como o acertado desabafo do u/BOGMANDIAS no tópico https://www.reddit.com/brasil/comments/gqz0t5/hoje_bolsonaro_deu_mais_um_passo_rumo_ao/ e a sagaz percepção do u/HerrHugoStiglitz no tópico https://www.reddit.com/brasil/comments/gqlz4i/bolsonaro_e_nazismo_um_flerte/ venho compartilhar pra vocês uma das histórias mais sinistras (no sentido carioca do termo) que li sobre o assunto.
Norbert Elias, um dos maiores sociólogos do século XX e de todos os tempos, escreveu um livro clássico sobre a cultura alemã e a ascensão do nazismo chamado de "Os Alemães", praticamente uma biografia da Alemanha do século XIX à 2ª Guerra Mundial. Ele era judeu de classe média e escapou fedendo (literalmente fedendo) no início da década de 1930 de ser assassinado pelo nazismo enquanto os pais ficavam para morrer nos campos de concentração.
No livro "Elias por ele mesmo", que é um compilado de entrevistas, ele conta no final como essa situação aconteceu. Foi quando as instituições de manutenção da ordem (monopólio do uso legítimo da violência pelo Estado para quem manja dos paranauê) passaram a ter um lado: o lado dos nazistas.
Haviam grupos armados de esquerda e direita nas ruas em virtude da crise política e econômica que implodiu a república de Weimar após a crise de 1929. Elias percebeu que, sendo judeu, era hora de sair do país quando as forças constituídas começaram a atuar em favor das milícias de direita: reprimiam grupos e políticos de oposição e deixavam livres os paramilitares e milícias de direita.
O entrevistador pergunta se ele não tentou convencer os pais. Ele disse que tentou, mas os mesmos, sem sentir ainda na pele a perseguição direta e tolerando a anos o preconceito difuso e a escalada meramente discursiva contra os judeus, acharam que era só da boca pra fora, um exagero.
Hitler aparelhou o exército e o Estado com os ex-membros do exército alemão da 1ª Guerra Mundial, ressentidos com as humilhações que sofreram após a Alemanha perder a guerra e sofrer as terríveis sanções que, nas palavras proféticas de Woodrow Wilson ,levariam a 2ª Guerra duas décadas depois. Pra eles pegou especialmente as expulsões das forças armadas, cujo número foi restringido pelo tratado de 1919 no fim da Guerra.
No Brasil é muito parecido. Temos os grupos autorizados a usar a violência legítima cada vez mais endossando um lado político, extremamente ressentidos embora devido a processos históricos distintos.
Por parte dos militares, a instauração da comissão da verdade por uma ex-guerrilheira, mulher, sobrevivente da tortura, que ousou criar um aparato institucional para trazer à tona de forma oficial os horrores praticados na Ditadura militar, furando a bolha de "normalidade" que a anistia "exígua, local e restrita" propiciou aos grupos que viabilizaram assassinato, tortura e perseguição de milhares e condenaram milhões à miséria contínua.
Sem contar que com o fim da Ditadura, os militares nacionalistas foram alijados do poder e levados ao ostracismo, ficando as lideranças mais fisiológicas com corruptos interesses de expansão do poder político. Esses que moldaram a atual mentalidade subserviente, antipopular, antidemocrática, pró-EUA e histericamente anti-comunista que grassa em nossas forças armadas. Esse povo está seco para subir ao poder desde 1985.
A ditadura também deixou um legado de merda às nossas polícias. Com o aumento da desigualdade social e o surgimento do cirme organizado (outra merda na conta dos militares), o aumento da repressão, da carta branca à violência extrema e da corrupção acompanhou o aumento da violência necessária a manter em silêncio e sob controle os grupos vistos como dissidentes pelo governo.
Pra piorar, temos ainda o incentivo às milícias por fora das corporações (PM) e aos justiceiros por dentro delas, em especial a PF, cujo interesse maior é aumentar o poder corporativo sobre os outros poderes instituídos em especial os órgãos de controle, agindo com total poder investigativo e até punitivo, incorporando premissas que não cabem à mesma, tomando atribuições do Ministério Público e do Judiciário.
Os principais braços da justiça (mas não do judiciário!), MPF e STF, como instituições historicamentes covardes e corruptas e que se alinham ao poder que lhes concede mais privilégios e menos controle social, cavaram à própria cova: ao darem asas as insinuações autoritárias da Lava Jato, dos militares e da PF, se tornam incapazes de agir contra as mesmas sem colocar em risco os próprios privilégios e o desvelamento de suas conexões com os abusos de autoridade institucional de todo tipo. Estão todos de mãos dadas, sujas com o sangue, nosso sangue, sangue do povo, do contribuinte sem privlégios, que sustenta todas as mamatas em todos os níveis da esfera política e não pode nem sacar uma merda de um trocado de 600 em paz sem sofrimento.
Bola de cristal ninguém tem. Mas assim como criaram o relógio do fim do mundo na Guerra Fria, se tivéssemos um relógico do golpe de Estado, ele acabou de marcar cinco pra meia noite. Embora informalmente já vivemos uma ditadura, nunca estivemos tão próximos de um governo formalmente autoritário. Viram a nota do clube militar falando sobre guerra civil? Toda vez que se falou em guerra civil no Brasil foi o massacre do povo e das forças a favor do progresso e do desenvolvimento, autorizado pelas corporações privilegiadas do Estado em benefício do capital.
Sim, os famosos detentores do capital, os burgueses. Alguém viu o mercado enlouquecer com general da ativa e da reserva ameaçando golpe e guerra civil? Ninguém viu.
Agora experimenta sair na rua pedindo pra cancelar aumento de vinte centavos na passagem. Dá nisso que estamos vendo: povo na rua se mobilizando por direitos sociais, 7 anos de inferno político, social e econômico.
Puta que me pariu mil vezes.
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2019.11.07 03:25 Mustafasustenido Completei 30 anos, virei mago e isso me abalou profundamente

Caros colegas redditors.
Buscarei a melhor forma de contar essa história aqui e farei um TL;DR no fim, mas tentarei não deixá-la massiva.
Então... venho de uma família classe média alta onde o que mais tive foi amor e carinho.
Em minha adolescência viajei bastante pelo mundo com minha família, estudei em uma escola excelente, fiz muitos amigos (alguns hoje são meus irmãos de vida) e posso dizer que foi o melhor período de minha vida.
Porém nunca consegui me relacionar com nenhuma mulher. Terminei o ensino médio sem nunca ter dado um beijo. Só tendo encostado na mão de uma menina 1x e passando por dezenas de rejeições (perdi as contas da quantidade de vezes que me apaixonei e não fui correspondido).
Sei que isso, em partes, se explica pelo fato de eu ter sido o ser humano mais magro (com saúde) que já conheci. Sem entrar em muitos detalhes meu IMC era por volta 13, eu era literalmente só o osso. Mais de 1,80m e menos de 50 kg (muito tempo depois descobri que é simplesmente a genética, mesmo malhando existe uma barreira pra meu peso e cada segundo de sedentarismo me faz emagrecer), exames perfeitos. No fim da adolescência entrei pra academia e consegui um corpo magro normal, porém o estrago na minha autoestima já estava feito (apesar de eu ter convicção que a qualquer momento, naturalmente, as coisas aconteceriam e eu acharia alguma menina pra me relacionar).
Passei em uma das melhores faculdades do país, no curso que eu queria, saí de casa pra morar sozinho e estudar, tinha tudo pra minha vida continuar as mil maravilhas, mas encontrei meu primeiro problema. O local de estudo só tinha homens e, como eu não era muito de sair, me bateu um grande desespero de continuar BV por muito tempo, já que não teria contato com mulheres... Enfim, uma depressão apareceu e fiquei quase 2 anos praticamente na rotina casa-faculdade-casa (além de minha família ter colocado quase uma babá em minha casa, pra que eu pudesse ficar mais relaxado). Foi com sobras o pior período de minha vida, em momentos de crise não conseguia comer praticamente nada, em momentos normais eu tinha que empurrar cada refeição. Voltei pra um estado de muita magreza (IMC 14,5), parei de fazer atividades físicas... minha família percebia pouco porque, além da distância, meu desempenho continuou excelente. Meus amigos de infância estavam em outras cidades e meus amigos da faculdade não pareciam notar nada (até porque já me conheceram nesse estado).
Consegui começar a superar essa situação depois de um grave problema de saúde na família. Entendi que nada do que eu sentia se justificava com tanto sofrimento que eu estava vendo daquele ente querido próximo a partir. Tanto que, depois da sua morte meus pensamentos voltaram a funcionar quase que normalmente (algumas recaídas de vez em quando) e voltei a ter aquela certeza adolescente que a qualquer momento naturalmente eu ia encontrar uma parceira.
Resumindo bastante, terminei a faculdade e comecei a trabalhar numa das maiores empresas do país, em uma cidade média do Brasil. Em pouco tempo eu assumi uma função de gestão e hoje estou quase no topo da carreira. Além disso dou palestras periodicamente para centenas de pessoas e ministro um curso noturno na área em que sou referência. Minha remuneração é o equivalente a 1 carro popular a cada 2 meses.
Ah... não possuo redes sociais
O que vou falar agora pode ficar parecendo querer me "gabar", mas é só pra enaltecer a gravidade da situação e o quanto tudo pesa em mim.
Meu modelo de gestão virou referência na empresa (e no mercado em geral), por criar uma equipe "família" (tenho muita facilidade em analisar perfis de pessoas e criar ambientes de trabalho que funcionam de maneira leve), os funcionários da empresa simplesmente me vangloriam pela forma como eu levo as coisas e resolvo as situações. Um dia desses um antigo auxiliar de serviços gerais (o qual sempre incentivei [verbalmente e financeiramente] a terminar o curso que estava fazendo) que conseguiu vaga de assistente administrativo em outra empresa veio pessoalmente me agradecer (até uma lembrança me deu, que guardo com bastante carinho) por conta dos ensinamentos que passei pra ele, que, segundo o mesmo, "foram de grande importância para o crescimento na carreira dele".
Dou palestra pra centenas de pessoas por mês, pra falar sobre a área que domino e está em ascensão em todo o mundo. As palestras tem sido um sucesso, e a plateia aumenta a cada ciclo. Sempre tive muita facilidade pra falar (e prender a atenção das pessoas) em público.
Minhas aulas noturnas também correm de maneira bastante positiva. Sempre tive prazer em ensinar e ver o aprendizado de cada estudante (principalmente os que mais tem dificuldades) me dá uma sensação de dever cumprido muito grande.
Além disso tudo sou multi-instrumentista. A música é parte de mim e sempre quis compartilhar com o máximo de pessoas possível. Dessa forma, sou um dos fundadores (e professor) de um projeto comunitário com objetivo de transformar a vida das pessoas de uma maneira efetiva.
Dito isso, volto pra o ponto do desabafo do tópico.
Completei 30 anos, sou BV e, obviamente, virgem e isso vem me destruindo a cada dia que passa. Todas as pessoas próximas a mim já tem família, ou pelo menos namoradas sérias/noivas e eu mal encostei na mão de uma mulher.
Analisando friamente (uma das minhas maiores virtudes são as autocríticas) sou um homem nota 7 de rosto (sei que nos achamos mais bonito do que o que somos, mas já descontei uns pontos, risos) e 3 de corpo. (recentemente estava melhor de corpo mas ansiedade que venho sentindo nos últimos meses vem me corroendo, e tenho total consciência que não posso por a desculpa dos meus insucessos integralmente no meu corpo)
Ninguém sabe que sou BV e meus dois amigos mais próximos sabem que sou virgem.
Mensalmente recebo a sugestão de procurar uma prostituta, mas meu EU me diz que isso seria a maior prova que sou incapaz de conseguir um primeiro beijo com uma moça que gostasse de mim de verdade (e nem sei se é recomendado beijar prostitutas, risos).
Meus amigos já tentaram me "armar" com conhecidas em festas, mas nas duas vezes que isso aconteceu notei que as moças não queriam e nem tentei forçar a barra. Acabei saindo das situações muito pior do que antes, sentindo a rejeição na pele mais uma vez. Sabe aquela facilidade pra falar em público? Isso desaparece integralmente em contatos sociais diretos com muitas pessoas do sexo feminino (principalmente em festas, que nunca gostei e hoje em dia mal vou, a não ser as do trabalho ou quando faço parte da banda). Na verdade ir em festas no geral me cansa MUITO, vou uma vez por ano, depois de muita insistência dos amigos, porque sei que vou ficar lá 5-6h com cara de paisagem, sem despertar o interesse de nenhuma mulher random por conta de não conseguir ter a mínima postura e não ter um corpo tão legal pra gerar interesse numa numa festa.
Tenho total convicção que, se eu fosse uma mulher, jamais pegaria um cara inibido como eu num ambiente de festa, eu simplesmente me reduzo a um pedacinho de nada, sei que isso é muito por conta da baixa autoestima devido ao meu corpo e às rejeições femininas que sofri na adolescência.
Minha rotina hoje em dia se resume basicamente a:
Trabalhar de segunda à sexta o dia todo (e noite), tento ler algo pra relaxar;
Sexta à noite (pelo menos a cada 15 dias) saio com meus amigos (e suas esposas) pra um barzinho;
Sábado trabalho mais um pouco, assisto futebol e vou dar aula de música para o pessoal no projeto;
Domingo passo o dia feliz com minha família, à noite vou à missa pra relaxar um pouco o espírito e me preparar para a semana.
Sinto um pouco de tristeza principalmente ao escrever que passo o "domingo feliz" com minha família, com um toque de desdém. Porque realmente tinha tudo pra ser algo perfeito, mas meu EU interno já passa cada minuto, em cada uma dessas atividades, pensando no quanto de vida eu perdi por chegar aos 30 anos sem ter me relacionado com uma mulher e saber que esse tempo não volta atrás nunca.
Saber que jamais vou ter uma namoradinha aos 15 anos, conhecer aos poucos e sem maiores pressões como um relacionamento funciona. Ir de mãos dadas ao shopping, assistir um filme, trocar palavras, olhares... Cada vez que penso nisso parece que uma parte de mim fica pra trás, não consigo exprimir com palavras o vazio que isso me faz sentir.
O estopim para que eu resolvesse desabafar e (com fé em Deus) procurar ajuda profissional foi o seguinte:
A empresa é composta majoritariamente por homens e mulheres de mais idade, mas possui algumas estagiárias e o pessoal sempre me fala na resenha (não sei até que ponto é resenha [na verdade eu sei que não é resenha]) que elas fazem de tudo pra se envolverem comigo (lembra aquela história de que sou bom pra traçar perfis de pessoas e montar equipes? Pois é, quando o assunto é relacionamento com mulheres eu não sei interpretar os sinais mais básicos). Obviamente eu jamais me envolveria com uma estagiária (até mesmo uma ex-estagiária), por razões profissionais, mas já recebi muitos "convites" via Whatsapp, que acabo levando na brincadeira pra não queimar minha reputação.
Enfim, recentemente chegou o ponto que resolvi que meu psicológico era mais importante do que meu medo de "me queimar" e comecei a conversar com uma estagiária (10 anos mais nova e de família humilde[claro que não ligo pra isso, só estou dizendo aqui pra que você me ajudem a interpretar a situação depois]) que já estava terminando o contrato e ia ser efetivada em outra cidade. A iniciativa foi minha (e isso me fez ter ainda mais vontade de que desse certo), mas, mesmo sendo um poste, eu sempre notei a forma que ela me olhava, sorria e nas conversas que tivemos nossas ideias se batiam muito, além de ela me atrair fisicamente e ser bastante inteligente.
Começamos a conversar diariamente via Whatsapp (evitávamos contato pessoal por conta do ambiente da empresa). Pouco antes do contrato dela acabar surgiu o momento e falamos mutuamente do que sentíamos, dos problemas que isso podia trazer pra vida profissional, mas acabamos concordando que valeria a pena tentar algo. Um tempo depois resolvi chamá-la pra sair e ela aceitou, mas veio com uma conversa que não era pra eu criar expectativas e que ela "não era fácil" (com outras palavras mas em resumo era isso). Confesso que achei meio estranho, há pouco tempo havíamos nos aberto um para o outro, mas não entendo nada de mulheres mesmo, então vamos seguir a história.
Tive o primeiro encontro da minha vida (sim, aos 30 anos, repito) levei ela pra jantar em um local que não fosse o mais caro da cidade (pensei que ela se sentiria mais confortável caso pudesse pagar o que havia consumido, se desejasse).
Saí de casa bastante nervoso, mas seguindo à risca tudo que os tutoriais on-line tinham me ensinado. Asseado, perfumado, bem vestido (como se eu já não vivesse assim...) e tentando o máximo possível ser simplesmente eu.
Chegamos ao local (um pouco preocupados que algum conhecido nos visse), mas a coisa fluiu tão naturalmente que, aos poucos o nervosismo foi passando. Aproveitamos o momento "livres" e conversamos sobre muita coisa ao longo de quase 3 horas (sem nenhuma forçação de barra, a coisa realmente acontecia de maneira espontânea), falamos um pouco sobre nossas vidas, nossos anseios, falamos mal das pessoas das mesas vizinhas... isso tudo com intensas trocas de olhares. Chegou um ponto que tomei coragem, segurei na mão dela e, pasmem, ela deixou. Fiquei ali de mãos dadas com ela (foi uma das melhores sensações que já tive na vida), trocando carícias e conversando por mais alguns minutos, quando decidi que era hora de sair e tentar algo.
Como já disse, antes do encontro eu estava muito nervoso, mas depois de todo aquele tempo com ela eu percebi que as coisas realmente iam acontecer de forma bastante natural.
Saí do restaurante abraçado com ela, fomos em direção ao carro (estava num local isolado), fiquei de frente com ela, falei 2 palavras e fui em direção ao meu primeiro beijo.
Ela simplesmente se virou e disse "na-não" (foi mais em forma de ruído de negação, mas achei melhor escrever assim), nesse momento não entendi mais nada (teria interpretado algum sinal de forma errada? Deveria insistir?).
Dei um abraço nela falei algumas palavras, tentei novamente e recebi mais uma rejeição.
Não soube o motivo (até agora não sei), mas preferi não insistir, demos um abraço demorado e levei ela pra casa, conversando sobre outras coisas.
Faz pouco tempo que isso aconteceu e ainda trocamos algumas palavras via Whatsapp. O que me deixa tranquilo é que eu pelo menos tirei a bunda da cadeira e tentei. Mas a frustração de mais uma rejeição é algo incomensurável pra mim. Não sei quando terei contato com outra mulher a esse ponto (estatisticamente eu tenho contato, com chances de dar algo, com uma mulher a cada 2 anos, e, é claro, nunca deu certo)
Com relação a esse encontro (eu queria até a opinião dos colegas redditores) eu trabalho com 3 hipóteses:
1 - Ela quer algo, mas não quis se mostrar fácil/interesseira (como as outras estagiárias que mandam mensagens diretas pra mim por Whatsapp) e está esperando outro convite meu para que possamos sair novamente e finalmente ocorra algo;
2 - Ela não quer mais nada por conta de uma das milhares de coisas que podem estar se passando na mente dela;
3 - Isso foi a prova de que meu corpo possui alguma substância não identificada, incolor, inodora e insípida, que cria uma barreira contra mulheres.
Não sei se vale a pena insistir, estou tão frustrado que não consigo ter forças pra um contato mais direto (apesar de sentir muita falta das conversas com ela);
Pra finalizar, meu desespero hoje é tão grande que penso até em fazer uma rede social (coisa que nunca tive) só pra me "amostrar" (algo que é totalmente contra meu perfil). Mostrar meus carros, minha casa na praia, minhas viagens semanais, meus momentos com os amigos, sei lá, qualquer coisa que pudesse gerar alguma curiosidade sobre mim para as mulheres.Mas aí me olho no espelho e percebo que quando chegar a esse ponto eu realmente não estarei mais sendo eu e algo de muito errado (além do que já está se passando) estará acontecendo.
TL;DR: Homem, 30 anos, família perfeita, muitos amigos (alguns verdadeiros irmãos), trabalho dos sonhos, ótima situação financeira, porém BV e virgem.
Fazendo um resumo desde a adolescência:
Comecei a aprender sobre música achando que com isso um relacionamento viria naturalmente (ao menos a música virou uma paixão real em minha vida);
Comecei a fazer academia achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a cursar um dos cursos mais concorridos do Brasil achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a trabalhar e hoje ganho mais do que 99% da população brasileira achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
E não veio. Hoje não sei mais o que buscar ou a quem recorrer... A ansiedade (ou seria depressão?) está chegando a tal ponto que me vejo totalmente refém de alguns pensamentos que me atrasam bastante. Eu não consigo, por exemplo, passar mais de 15 dias (ou ir pra um lugar distante) longe da minha família/amigos próximos. Começa a bater um desespero (tipo os que eu sentia na depressão quando tinha 20 anos) e começo a pensar que eu poderia estar ali com uma companheira, aproveitando cada segundo. Já desisti de diversas viagens para fora do Brasil por conta disso. Coisa que fazia naturalmente na adolescência.
Sinto que a cada dia a bolha vai aumentando, a ponto de começar a atrapalhar nos meus trabalhos e vida pessoal, viagens a trabalho para fora do estado estão se tornando um sofrimento (as consequências de todos meus medos recaem sobre meu sistema digestivo), acordo à noite desesperado com medo do dia de amanhã, comecei a procrastinar algumas coisas e perder o tesão em diversas situações de prazer do dia a dia (não consigo mais jogar videogame por achar que isso me torna ainda mais virgem e inútil. A própria masturbação se tornou um momento de tristeza. Tocar piano, violino, violão, etc sozinho muitas vezes só me traz dor).
Cada elogio que recebo na empresa, palestras, aulas, crianças no projeto de música, família, amigos, parece aumentar o vazio que sinto.
Gostaria de simplesmente arrumar uma companheira e viver a vida a dois, viajar, compartilhar momentos, beijar, quem sabe, caso a coisa desse certo, ter filhos, criar uma família...

De qualquer forma, me sinto um pouco mais leve por ter passado 2 horas escrevendo e tendo exprimido todos esses sentimentos pela primeira vez (pra o lado de fora de minha cabeça).
Estou pensando em procurar um psicólogo (creio que já devia ter feito isso desde a minha primeira depressão lá nos 20 anos). Como garantir que eu, sendo uma figura conhecida na cidade não terei todas as minhas histórias íntimas divulgadas (sei que psicólogo é uma profissão muito séria, peço até desculpas de antemão caso essa pergunta ofenda alguém, mas uma pessoa má intencionada poderia destruir toda minha reputação externalizando minha intimidade). Na verdade a pergunta é "como escolher um psicólogo?". Caso não dê certo é normal trocar de psicólogo?
Obrigado a todos pela atenção.
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2018.11.18 19:38 ProfessionalToner [OC] O que podemos aprender com a Índia, Austrália e EUA sobre o problema da concentração de Médicos

CUIDADO LÁ VEM TEXTÃO

Bom gente, li alguns textos e artigos sobre esses problemas em outros lugares do mundo e vou retratar minha visão sobre eles pra quem se interessa saber sobre esse problema e as possíveis soluções. (ao invés de ficar xingando bolsonaro ou xingando quem xinga bolsonaro, que não vai nos levar à lugar algum)
Ia postar no erre Brasil mas desisti, prefiro postar OC aqui e ter liberdade pra falar do que quiser sem medo.
Vou falar sobre a Índia, Austrália e EUA. Acho relevante olhar o problema sobre olhos de países geograficamente e financeiramente iguais ao nosso, porque isso influencia no problema.

ÍNDIA: India still struggles with rural doctor shortages 12/12/2015

Background: A Índia apresenta problemas similares ao nosso, possuem muitas escolas médicas que produzem muitos médicos por ano(410 escolas com 50.000 alunos/ano) porém apresenta problemas de distribuição:
8% of 25 300 primary health centres in the country were without a doctor, 38% were without a laboratory technician, and 22% had no pharmacist. Nearly 50% of posts for female health assistants and 61% for male health assistants remain vacant. In community health centres, the shortfall is huge—surgeons (83%), obstetricians and gynaecologists (76%), physicians (83%), and paediatricians (82%). Even in health facilities where doctors, specialists, and paramedic staff have been posted, their availability remains in question because of high rates of absenteeism.
Esses números são das unidades do país, ou seja, como se fosse em hospitais públicos e UBS aqui. Como podemos ver falta tanto médico geral como especialistas, e eles também tem problemas com absenteísmo.
Só uma nota rapidinho: A índia forma ótimos médicos. Muitos médicos de nome que atuam nos EUA vieram da Índia. É muito comum ver indianos atuando nos EUA.
Razões para a Falta de Médicos: O artigo fala básicamente o mesmo problema daqui: Atuar na atenção primária é desmoralizante e a formação médica foca na atenção terciária, logo os estudantes todos acabam invariavelmente aspirando a se tornarem especialistas ao invés de Médicos Generalistas.
“Working in the public health sector is often a demoralising experience for doctors because their professional lives are blighted by lack of professional development opportunities, accountability, and access to even basic medical resources necessary to perform an effective role”,
Soluções criadas por eles:
1) Fizeram muitas coisas que são feitas aqui: Trabalho Rural compulsório na graduação (Aqui nos temos o Internato Rural), Exigência de trabalho no interior para aceitação em cursos de pos-graduação (Isso foi questionado no governo passado mas descartado porque não tínhamos vagas suficientes em residência para fazer isso ficar viável) e incentivo monetário(Não sei se 11.800 seria suficiente, já que não difere muito do salário em capital ou adjacências, ou seja não é "incentivo").
2) Esse daqui é diferente e interessante, porém não existe nada parecido com o Brasil. Foi proposto a criação de um curso intensivo de menor para formar um "Assistente Rural" que seria um profissional com menor treinamento.
Foi controverso, alguns argumentaram que eles não conseguiriam apresentar o mesmo nível de cuidado de um profissional devidamente treinado. Outros argumentam se for bem estruturado, linkando esses profissionais com outros mais habilitados, poderia dar certo.
Contudo, essa solução já foi aplicada desde 2004 em alguns locais, e já temos uma ideia de como elas funcionariam:
“Cadres like RMA are important for strengthening rural service delivery but there are problems. For instance, in Chhattisgarh there is no clear career trajectory for the RMA, which leads to great dissatisfaction among graduates”
Ou seja, apesar de serem efetivos, ele sofrem dos mesmo problemas que os médicos: Não há trajetória de carreira e muitos ficam insatisfeitos com seu trabalho.
Também tem outro profissional semelhante formado por uma Insituição sem fins lucrativos da Índica. O presidente dessa instituição afirma que eles são importantes para formar o elo entre a comunidade e o sistema de saúde, contudo:
“At present, informal providers claim to be doctors and engage in potentially harmful practices which need to be curbed. This can happen by being cognisant of their existence and functions, not by maintaining a strategically ambivalent ostrich-like attitude that the mainstream has for them.”
Tem certos profissionais que estão mentindo serem médicos e praticando atividades ilícitas.
Seria essa uma solução viável para o Brasil? Não sei. Esse problema de profissional mentindo ser médico e praticando atos ilícitos seria muito comum aqui(Só ver quantas pessoas estão fazendo procedimentos estéticos sem terem aval para isso)

AUSTRÁLIA:Encouraging more doctors to go Rural - Australian Medical Association 24/01/2018

Background: 70% dos australianos vivem em grandes cidades. Também possuem concentração de médicos nos grandes centros, com 437:100k, comparado a 264:100k em áreas remotas.
Médicos do interior da Austrália trabalham mais que os médicos de grandes centros e tem média de idade de 55 anos. Dos médicos do interior, 40% são imigrantes.
A Austrália tem bem menos gente que aqui e também tem bem menos gente no interior que aqui, então diria que a situação deles não é tão tensa quanto aqui.(24 milhões de habitantes, com 7 milhões no interior)
Soluções criadas por eles: O texto é sobre um plano da Força Rural da Sociedade Australiana de Medicina. São 5 pontos que deverão ser implementados para aumentar a quantidade de médicos no interior. Aqui algumas palavras do presidente da AMA:
“Australia does not need more medical schools or more medical school places,” he said.
“Workforce projections suggest that Australia is heading for an oversupply of doctors.
“Targeted initiatives to increase the size of the rural medical, nursing, and allied health workforce are what is required.
Situação similar aqui(não diria similar, lá é mais saturado que aqui em termo de número de médicos segundo os números)
Bem, vamos as 5 medidas:
1 Encourage students from rural areas to enrol in medical school, and provide medical students with opportunities for positive and continuing exposure to regional/rural medical training;
Isso daqui eu acho essencial no Brasil. Nós temos que incentivar GENTE DO INTERIOR a fazer faculdade de Medicina.(Como? Bolsa, que tem clausula da pessoa ter que trabalhar no PSF da sua cidade) São eles que tem alguma chance de querer viver lá. Não da pra esperar uma pessoa que viveu em cidade grande a vida toda querer ir para o interior, isso não vai acontecer.
Quanto a "experiências positivas" eu acho importante também, permear a ideia que interior falta tudo,que você vai matar alguém por não ter as coisas e por estar sozinho repele muita gente.
Pra você ter ideia aqui no Brasil quando se fala em Internato Rural o pessoal fala "tem que aprender a resolver tudo na marra" "Consertar prolapso retal com fita adesiva" ou "vai aparecer uma mulher parindo e você vai ter que fazer o parto no meio do posto(Isso antes de você aprender a fazer parto no Internato de GO)"
2 Provide a dedicated and quality training pathway with the right skill mix to ensure doctors are adequately trained to work in rural areas;
Não muito o que comentar, Só firmando a qualidade no ensino para que o profissional possa atuar no meio rural.
3 Provide a rewarding and sustainable work environment with adequate facilities, professional support and education, and flexible work arrangements, including locum relief;
Isso aqui é interessante. Médico Rural na Austrália tem direito de sair da sua cidade para fazer aperfeiçoamentos. Ele é substituido por médico do governo enquanto sai e ainda recebe enquanto está fora. Mais informações
Ou seja, o médico tem qualidade de vida, pode viajar se quiser sem dar ruim, ele tem segurança do Estado que nada vai dar errado.
4 Provide family support that includes spousal opportunities/employment, educational opportunities for children’s education, subsidies for housing/relocation and/or tax relief; and
Olha aí uma coisa ótima a ser feita. Como fica a esposa do médico que tem que ir pro interior? Como fica os filhos que vão ter que ir pro interior? Com fica a casa? Realocação?
O governo Australiano ajuda nisso, acabando com alguns dos problemas de viver no interior. Diminuir impostos também é bom.
Provide financial incentives to ensure competitive remuneration.
Ou seja, eles tem incentivos monetários para tornar a carreira de médico rural tão competitiva quanto o Médico na Cidade. Atualmente, a remuneração do Mais médicos não é tão competitiva assim, sendo que dá pra tirar o mesmo ainda morando em capital.
Comentando algumas frases do Presidente da AMA:
“Rural workforce policy must reflect the evidence. Doctors who come from a rural background, or who spend time training in a rural area, are more likely to take up long-term practice in a rural location,” Dr Gannon said.
O cara está disposto a dar essas vantagens a quem merece: Quem veio de história de interior, quem fez internato no interior, quem se interessa no interior. Ou seja, ele não quer obrigar os médicos a se interessarem, ele quer oferecer vantagens para os que se interessam.
Cita também da importância de incentivar indígenas a fazerem medicina, para que possam trazer ao seu povo saúde.
The work environment for rural doctors presents unique challenges, and Governments must work collaboratively to attract a sustainable health workforce. This includes rural hospitals having modern facilities and equipment that support doctors in providing the best possible care for patients and maintaining their own skills.
Também está interessado em melhorar a estrutura de trabalho do médico, incluindo melhorando a internet para melhorar o trabalho.

EUA: Fixing the medical staff shortage problem in rural areas 20/06/2018

Background: Já sabem a saúde dos EUA né? Aquele negócio lindo. Eles também, pra variar, tem problemas com isso. Estimam que 60m de pessoas estão com problemas relacionados a falta de médicos. Diria que é mais similar ao Brasil do que a Austrália, mas o Sistema de Saúde é bem diferente lá e não sei se dá pra traçar paralelos.
Soluções criadas por eles:
Muito do já falado aqui: Aumentam a aceitação de pessoas que vireram do interior esperando que eles voltem e mais programas durante a graduação de experiência no interior.
Community Apgar Program (CAP), a recruiting structure developed by researchers, educators and clinicians at Boise State University. The CAP identifies strengths and opportunities for improving rural medicine within specific communities, as well as identifying specific challenges that could hinder future growth.
Tem um programa próprio pra ajustar as oportunidades de trabalho rural. Pelo que eu entendi o programa trabalha de forma a entender os problemas da Medicina Rural e traçar estratégias para aumentar o interesse e diminuir os problemas dessa área. Mais informações.
Another solution to the rural healthcare shortage is the use of locum tenens physicians, where medical providers travel to work in underserved areas on temporary assignments. More than 90 percent of hospitals in the U.S. use locum tenens to supplement their full-time staff.
Essa seria outra solução boa: Médicos sobre demanda. O médico é contratado temporariamente para fazer uma missão e voltar. O único problema é que Medicina de Família não é pra ser assim, pouca duração. O profissional tem que ser perene, sua atuação depende de estar familiarizado com a região e os moradores. Colocar médicos por 1 ano ou 2 iria atrapalhar muito isso.

CONCLUSÃO E TLDR

Caralho, não era pra eu ter falado tanta coisa, mas fui no gás. Enfim, o que eu aprendi vendo isso é que existem sim coisas a serem feitas para aumentar o incentivo do Médico ir para o interior, e também aprendi que esse problema existe em todo canto do mundo, não é por causa do Brasil ou porque tem "reserva de médico".
Das medidas, acho que as mais importantes pro sucesso seria a de procurar futuros graduandos de medicina de cidades do interior. Isso poderia ser feito com o ENEM, limitar as universidades públicas a aceitarem parte dos alunos como procedentes de regiões rurais. Isso iria adereçar o principal problema na minha opinião: Médico é gente, ele tem família e amigos, se ele nasceu e viveu no grande centro, não daria pra gente empurrar ele pro interior do Brasil.
Outras eu acho que seria boa seria ver esse negócio do Bolsonaro de "Médico do Estado" e fazer junto a isso uma Equipe pra analisar e manejar os problemas que médicos teriam para aturar no interior(algo parecido com as medidas do governo australiano e do Community Apgar program).
Já essas medidas de telemedicina e de um "Médico Tecnico do Interior" não sei se seria viável. São definitivamente ideais interessantes mas não sei se vai passar pelo CFM.
tl ;dr li 3 artigos sobre médico não querer ir pra roça. copiei e colei um monte de coisa. Pra acabar com o problema tem que colocar menino da roça pra fazer medicina e trabalhar pra fazer com que o trabalho de médico da roça não seja degradante.
Eu deveria estar estudando mas estou escrevendo essa merda.
Até mais, Glória a Deus.
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2017.10.18 22:34 rick-br O que é C&F? (Cocky & Funny)

A ORIGEM
A alguns vários anos atrás, David DeAngelo tinha um amigo que era seu vizinho de porta. Eles saíam juntos e ele contou para o amigo que estava aprendendo a ter mais sucesso com as mulheres e falava para ele o que fazia e tal. O amigo dele sempre balançava a cabeça e ria porque ele era um cara natural, ele simplesmente entendia o que fazer e ele tinha vários amigos que eram bons em relação a isso também. Os dois saíram uma noite e o David estava chegando numa mulher tentando ser gente boa e construindo rapport, fazendo elas gostarem dele e o amigo só balançava a cabeça e falava “Não!”. Então David disse: “Então me explica como se faz! Aí o cara disse: “O que se deve fazer é uma combinação simultânea entre arrogante e engraçado” e essa foi a melhor forma que ele usou pra explicar isso. David, na hora, não conseguiu entender como sendo arrogante ele faria uma mulher gostar dele mas depois de alguns meses ele começou a ver o link direto entre C&F e atração. Ou seja, C&F é algo que muitos naturais já fazem e sempre fizeram.
O QUE É?
Cocky Comedy ou Cocky & Funny é uma mistura de arrogância e humor feita de forma a criar e aumentar o sentimento de atração das mulheres.
Essa ferramenta deve ser sempre focada para gerar atração, NUNCA perca isso de vista! Digo isso porque existe uma grande e importante diferença entre C&F e ser somente engraçado: a pessoa que SÓ é engraçada não cria atração. Se você quer ser engraçado, vai na livraria e compre um livro de piadas, mas por outro lado, se você agir somente arrogante você acaba com a imagem de que é um tremendo babaca e, com certeza, não vai pegar ninguém de qualidade.
Para usar C&F você deve lidar com suas inseguranças e problemas de personalidade, você deve ter estabilidade emocional e fazer bom uso do seu linguagem corporal.
Para aprender essa ferramenta você PRECISA aprender a tomar certos riscos, é muito importante fazer isso porque a falta de ousadia não vai ajudar a você inserir aqueles comentários nas horas certas. Essa presença de espírito é uma característica muito importante para os que utilizam esse recurso.
3 COMPONENTES PRINCIPAIS
  1. Você esta comunicando alto status com seu comentário arrogante;
  2. Você está fazendo ela rir (que significa ela buscar aceitação social e conexão com você);
  3. Você não está rindo (o que comunica alto status e que não está buscando a aprovação dela). Isso tudo combinado cria e aumenta a atração.
O INNER GAME DO C&F
A sua personalidade é da onde seu humor vem, por isso é extremamente importante que você seja você e use seu próprio tipo de humor. Eis a importância de um bom inner game nesse momento. Sem ele, o humor não vai sair.
Papeis que você pode tentar seguir:
  • Eu sou superior a você.
  • Eu sou a vítima da sua sedução (ela só está querendo me levar pra cama).
  • Eu sou frio de uma forma engraçada.
  • Eu sou o cara que só quer saber no que eu posso ganhar.
  • Eu sou uma menina que faz muito cu doce.
  • Eu sou a autoridade em comentar sobre caras fracos
  • Eu adoro imitar a personalidade dela.
  • Eu sou o advogado do diabo (encorajando o mau comportamento de uma forma sarcástica)
  • Eu estou sempre na sua mente e ela está me perseguindo. Eu tenho certeza que ela está me perseguindo e estou resistindo a ela.
  • Eu tenho certeza de que ela precisa da supervisão de um adulto.
PRATIQUE esses papéis e veja como eles se encaixam na sua personalidade.
COMO MEDIR
O SORRISO
Acho que para realmente entender sobre humor e sobre C&F, é importante entender sobre o sorrirso, o que é sorrir e porque as pessoas sorriem. O ato de sorrir acontece inconscientemente (nós não decidimos conscientemente), se tentarmos, sai aquela risada forçada (testem vocês mesmos) e serve para enviar uma mensagem para outras pessoas. A maioria dos sorrisos (o ato de rir) não acontece em resposta a algo que seja engraçado e sim é a COMUNICAÇÃO UNIVERSAL para simbolizar o ato de conectar-se com a outra pessoa.
É o “EU GOSTO DE VOCÊ”.
Quando duas pessoas se encontram e interagem é IMPORTANTE levar o sexo das pessoas em consideração para entender a dinâmica social por trás do ato de sorrir. Comecem a perceber interações onde estão presentes somente homens, homens com mulheres ou interações somente entre mulheres e vejam a diferença do porque que as pessoas riem.
No caso das interações entre um homem e uma mulher, a natureza do ato de sorrir estimulada pelo homem em uma mulher tem como objetivo para o mesmo medir seu grau de aceitação e status por parte da mulher. Em uma conversação um homem sorri muito menos que uma mulher.
Um homem que não sorri não está preocupado com a busca de uma mulher por um cara que a faça rir (ele sub comunica que não está ali para ser aceito, ou pelo menos não comunica essa necessidade), se este mesmo homem estimular o ato de sorrir em uma mulher ele não ri do próprio comentário.Visualizem o seguinte: um homem falando “blablablabla” pontuado pela risada da mulher com quem ele está conversando e depois os dois rindo juntos. Isso é o INDICADOR DE TER PASSADO NO TESTE.
Agora visualizem um homem falando “blablablabla” e depois rindo e a mulher não dividindo a risada com ele. O que isso indica? FALTA DE INTERESSE e BAIXO STATUS na interação.
Logo...
O ato de sorrir serve como função social!
O sorriso de uma mulher para um homem acontece, geralmente, para indicar seu nível de aceitação e seu status.
Não existem interações humanas em que o sexo dos participantes possa ser desprezado.
LEMBREM sempre disso em uma interação.
O CONTRASTE
Entre C&F e o Senso de Humor
Contar piadas tem como objetivo fazer uma pessoa sorrir, ou seja, você cria tensão e libera a mesma em um formato de humor. Ter como objetivo fazer ela sorrir subcomunica buscar sua aprovação, tentar fazer ela gostar de você.
ISSO NÃO É C&F.
Como já falei, o objetivo do C&F é gerar atração, fazer ela querer você, fazer ela correr atrás da sua aprovação e você comunicar alto status. Dito isto, no C&F o sorriso é somente uma ferramenta para saber se você está no caminho certo e não o objetivo final.
No C&F você cria tensão e libera um pouco, cria mais tensão e libera outro pouco. No final você nunca deixa a tensão ser totalmente liberada, pelo contrário, ela é aumentada. Enquanto isso, você comunica alto status e tira um sarro dela (comunicando que ela tem menos status) de uma forma engraçada. Isso sempre faz ela tentar subir seu status em relação a você e você tira ainda mais sarro dela, gerando esse efeito bola de neve.
  • Cocky – eu tenho alto status, não me importo com o que os outros pensam.
  • Funny – faço ela sorrir de algo que eu digo.
Ou seja, você não vai fazer uma piada, você vai fazer ela rir de algo que você disse e ao mesmo tempo, comunicando o seu alto status.
O NIVEL SEGUINTE
O próximo nível de C&F, em vez de fazer ela sorrir do que você falou, são seus amigos sorrirem. E mais ainda, fazer seus amigos sorrirem de algo que você disse da menina.
Esse tipo de C&F é algo que você deve fazer, mas não exagerar. Jogar alguns comentários aqui e ali são o tempero na conversa, agora ser C&F sem parar acaba sendo demais porque rebaixa demais a pessoa no grupo.
SOBRE STATUS
Comece a entender e estudar sobre status. Status é o que faz a mulher se interessar por você.
Algumas dicas práticas sobre status:
  1. Olhar e fixar contato visual comunica alto status.
  2. Quebrar contato visual também pode comunicar alto status desde que você não quebre imediatamente o contato. Se você se sentir impelido a olhar novamente, seu status cai.
  3. Quando você for falar, não fique inserindo aqueles “hmm” “ééé”. Exemplo: “hmm oi, tudo bem?” ou “ééé... então você vai fazer algo hoje?” Isso comunica baixo status.
  4. Quando for falar, seja direto. O tom de voz também é importante.
EVITE
  • Usar humor autodepreciativo (se zuar);
  • Comunicar você pense que você é um idiota;
  • Fazer piadas sobre você ter azar, não ter sucesso, etc.;
  • Se diminuir para parecer humilde;
  • Olhar para ela depois de você falar algo com o objetivo de ver como ela está respondendo ao seu comentário.
NO CAMPO
Alguns conselhos práticos:
  1. Procure agir naturalmente, fique tranqüilo.
  2. Não fique pedindo desculpas pelo que falou
  3. Não tente fazer ela gostar de você, não tente buscar a aprovação dela
  4. Aproveite o momento. Foque a conversação em se divertir em vez de tentar fazer dela seu objetivo.
  5. NÃO seja muito sério em pouco tempo. Espere vocês terem alguns encontros para começar a fazer as coisas ficarem um pouco mais sérias.
  6. Não se preocupe em procurar fatores em comum entre vocês. Não se preocupe com essas coisas porque você acaba não conseguindo criar rapport.
  7. Faça coisas diferentes como se divertir, tirar sarro dela etc, já criam rapport em um nível diferente.
  8. Fale emoções, evite lógica. Isso mata a energia, acaba com a atração.
  9. Não ria para fazer ela sorrir. Isso é fácil de falar mas difícil de fazer. Com o tempo você vai polir esse comportamento.
  10. Não ria para quebrar a tensão.
Não tenha medo de tirar sarro da mulher que você está atraído! Assuma o risco de ser rejeitado e veja o ouro por trás disso.
Seja memorável
  • Tenha a atenção dela (esbarrar, contato visual etc)
  • Mantenha ela interessada por você (criar curiosidade)
  • Se diferencie dos outros homens que estão em sua volta
  • Seja imprevisível (Aumente sua curiosidade e faça ela se perguntar o que virá a seguir)
  • Faça ela querer mais
  • Faça ela sentir atração
  • Aumente a atração sendo desafiador, imprevisível e misterioso (dois passos pra frente, um para trás). Ou seja, crie a atração, depois pare, faça outra coisa, depois crie mais atração e assim vai.
Lembrando: se ela se sentir ofendida, isto NÃO é C&F.
(David DeAngelo)
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2016.06.07 19:37 gabpac "a opressão das engrenagens do Judiciário brasileiro sobre as nossas vidas pessoais tem sido brutal, e a cada dia que passa fica mais difícil lidar com isso." - Relato de um dos jornalistas responsáveis pela matéria a respeito dos salários do judiciário.

Copiado do Facebook dele:
Desculpa, mas vai ter que ter TEXTÃO. Nos últimos dois meses, eu, o Rogerio, o Euclides, o Evandro, o Guilherme e a Gazeta do Povo estamos sendo alvo de uma das piores perseguições a jornalistas e ao jornalismo que já presenciamos. Não digo a pior porque já vi colegas meus sofrerem ameaças às suas vidas – não por acaso os melhores jornalistas daqui da paróquia. Mas a opressão das engrenagens do Judiciário brasileiro sobre as nossas vidas pessoais tem sido brutal, e a cada dia que passa fica mais difícil lidar com isso. Em fevereiro, nós publicamos uma série de matérias sobre a desproporcional remuneração de magistrados e membros do MP estadual. Analisamos os vencimentos anuais das categorias e verificamos que, somando o salário base com auxílios, indenizações e um retroativo que, logicamente, não faz qualquer sentido, a média de rendimentos anuais deles ultrapassa em 20% o teto – o salário de um procurador e de um desembargador, à época, R$ 30.471. Aliás, os deputados já fizeram o favor de aumentar isso, sem qualquer contrapartida em relação ao bom projeto de lei que limita a concessão desses benefícios esdrúxulos. Todo o material passou, a priori e a posteriori, por um processo rigorosíssimo de checagem. Não tem um número ou uma palavra que não seja 100%, comprovadamente verdadeira. Absolutamente nada que possa ser questionado do ponto de vista legal. Colocarei nos comentários os links para as tais reportagens e para a coluna do Rogerio, para quem quiser conferir. Apesar disso, um grupo de juízes decidiu nos processar. Até aí, nada de mal – é parte do jogo. O problema é que o interesse deles pouco tinha a ver com ser ressarcido pelos supostos “danos morais”. Essa história se trata, sim, de uma tentativa vergonhosa de constrangimento e cerceamento da liberdade de expressão e de imprensa. Esse grupo de juízes decidiu apresentar mais de 30 ações individuais, todas idênticas, no Juizado Especial, pedindo o teto de pequenas causas (40 salários mínimos). No Juizado Especial, nós somos obrigados a comparecer pessoalmente a todas as audiências de conciliação – mesmo que todos saibam de antemão que não haverá acordo. Ou seja: nos últimos dois meses, nós viajamos o Paraná inteiro para participar de audiências sem qualquer propósito, sem contar as tardes que tivemos que passar nos juizados aqui de Curitiba e da RMC. Sem poder trabalhar, sem poder tocar nossas vidas. Não é uma estratégia nova; uma repórter da Folha de S. Paulo teve que participar de mais de cem audiências, nesse mesmo esquema, porque fiéis da Universal ficaram “ofendidos” com reportagem sobre picaretagens cometidas pela cúpula da igreja. O Congresso em Foco teve que suspender os trabalhos de reportagens por semanas por estratégia similar de funcionários do Senado. Mas a novidade, aqui, é que representantes da própria Justiça estão deturpando os instrumentos do Poder Judiciário para tentar calar a imprensa e constranger jornalistas. Mais sobre essa história você pode ler clicando no link para essa matéria que a Estelita escreveu. O que eu queria falar mesmo era sobre o efeito dessa desgraça toda nas nossas vidas profissionais e pessoais. No lado profissional, nós nos tornamos praticamente inúteis nos últimos dois meses. A gente não tem tempo para apurar qualquer coisa com profundidade, e até deixamos passar bons furos de reportagem porque simplesmente não tínhamos como executá-los. Além disso, isso sobrecarregou o trabalho de outros colegas. A redação ficou desfalcada de boa parte da equipe de política quando Michel Temer tomava posse como presidente – enquanto nós matávamos tempo em um hotel em União da Vitória, esperando mais uma de dezenas de audiências. É uma sensação de impotência insuportável. Mas na vida pessoal é que o calo tem apertado. Parece besteira, mas passar dias e mais dias preso em uma van exaure o espírito e o corpo de qualquer um. Seu sono fica desregulado. No próximo domingo, por exemplo, vamos ter que sair de Curitiba às 4 da manhã. É mais uma noite que será meio dormida – o que é pior que uma noite não dormida. Suas pernas doem. A comida de posto de gasolina te dá uma azia interminável. O Rogerio ainda conseguiu aproveitar para ler Guerra e Paz e Ulisses, mas eu não consigo ler em veículos em movimento sem ficar nauseado. O tédio fica insuportável. Tem horas que você só quer pular da janela da van. Para mim, a rotina tem sido isso. Mas sou solteiro, vivo sozinho, não tenho outras pessoas para cuidar. Acho que estou com a situação mais tranquila entre todos da van. A Ana, mulher do Euclides, está grávida de oito meses. Vai que o moleque inventa de vir ao mundo enquanto a gente está entre Candói e Nova Laranjeiras, o que ele vai fazer? O que ela vai fazer? Mesmo sem considerar isso, quantas noites uma mulher no auge da gravidez teve que passar sozinha por causa do ego dolorido de algum juiz de Assaí ou Cascavel? E o filho do Rogerio, que tem 2 anos e mal vê o pai há dois meses? Como explicar para ele essa rotina maluca? Um pai que, do dia para noite, não dorme mais em casa na maior parte do tempo? Mas o que realmente me incomoda é encarar esses juízes. Ver pessoas que nitidamente não leram a matéria, mas nos chamam de mentirosos (mesmo que a própria ação que eles apresentaram deixe claro que não há qualquer erro de natureza factual). Ver gente dizer que ganha uma “porcaria de salário” (o mais baixo é de, se não me engano, R$ 23 mil). Ver gente tentando ensinar jornalistas como fazer jornalismo (denuncie, mas denuncie os outros). É humilhante, é degradante. Geralmente, tento ficar calado, até porque eu sou um cara esquentado e tenho dificuldades em controlar o que eu digo. Mas em umas duas ocasiões não aguentei e tive que ser contido pelos colegas e pelos advogados. É uma ladainha insuportável, que virou nossa rotina. Diante de tudo isso, não tem como a gente não se perguntar, nos momentos mais difíceis, se valeu a pena fazer essa matéria e ter que passar por tudo isso. A gente não ganhou nada além de dor de cabeça, de aporrinhação, de humilhação. Se desse para voltar no tempo, a gente faria essa matéria de novo? Sim, eu faria essa matéria de novo, do mesmo jeito. Mesmo que eu tivesse (ou tenha) que ficar vagando pelo Paraná por mais dois anos. Eu nunca estive tão cansado, tão irritado, tão indignado, minha perna dói, minha úlcera tem me atacado como nunca, mas eu não estou triste. Pelo contrário, eu me sinto feliz, me sinto realizado, sinto que estou fazendo algo importante da minha vida. Se a gente está passando por tudo isso, é porque a gente fez um puta trabalho. É como se fosse um prêmio ao contrário. Todo esse périplo é como um recibo da relevância do nosso trabalho, uma prova viva de que o que a gente faz tem, sim, importância para a nossa comunidade. A gente só está sendo perseguido por que a gente cutucou uma ferida que tinha que ser cutucada. E o Euclides vai contar para o filho dele, o Rogerio vai contar para o filho dele, e eu, se um dia tiver filhos, vou contar para eles o que a gente fez. E eles vão achar massa pra caralho. Esse orgulho de ter feito um trabalho sério, honesto, relevante, bem feito e de absoluto interesse público é algo que juiz nenhum vai tirar da gente. Que eles durmam com isso.
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2015.12.15 20:18 MarceloMosmann Obesidade não é simplesmente uma escolha

Obesidade é um dos maiores problemas de saúde no mundo, e vem normalmente acompanhada de várias outras doenças, que combinadas matam e fazem sofrer milhões de pessoas por ano.(1, 2) Essas doenças incluem diabetes, doença cardiovascular, câncer, derrame, demência, síndrome do ovário policístico, disfunção erétil, artrite e outras.
Obesidade e Força de Vontade
Quando o assunto é ganho de peso e obesidade, muitas pessoas acham que engordar é simplesmente uma questão de falta de força de vontade. Culpam a falta de força de vontade e a preguiça pela obesidade.(1, 2) Isso é ridículo! Esse tipo de pensamento só faz o obeso se sentir mal consigo mesmo, acreditar que a culpa é só dele, quando na verdade não é! O que precisamos é encontrar uma forma de resgatar a saúde do obeso, mas esse tipo de pensamento o prende nessa condição de gordura e doença. Concordo que ganhar peso (ou perder) é um resultado de nosso comportamento. Entretanto o comportamento humano é algo muito complexo. Somos guiados, muitas vezes sem nem nos darmos conta, por fatores como genética, hormônios, ambiente e questões de saúde. Comportamento alimentar é guiado, assim como comportamento sexual, por vários processos. Alguns desses fatores estão fora de nosso controle racional.
Dizer que esse comportamento e o ganho de peso que dele resulta é simplesmente uma questão de falta de força de vontade é muito simplista. Isso não leva em conta todos os outros fatores que determinam o que fazemos e o que deixamos de fazer. A força de vontade da maioria das pessoas desmorona frente à força desses sinais internos e externos. Estes são os fatores que acredito estarem causando a epidemia de ganho de peso, obesidade e doença metabólica, e eles não têm nada a ver com a vontade ou preguiça das pessoas.
Genética e Fatores Pré-Natais
A saúde é especialmente importante no início da vida, pois afeta tudo o que vem depois. Muita coisa é determinada, na verdade, ainda no útero da mãe.(1) A dieta e escolhas da mãe são de extrema importância, e podem influenciar os futuros comportamentos e composição corporal do bebê. Estudos demonstram que mulheres que ganham muito peso na gravidez têm normalmente filhos mais pesados quando estes estiverem com 3 anos de idade.(1) Da mesma forma, crianças que têm pais e avós obesos têm maior chance e serem obesas do que crianças que tenham pais e avós com peso normal.(1, 2) Os genes que recebemos dos nossos pais podem determinar se vamos ganhar muito peso ao não ao longo da vida.(1) Embora o que acontece no início da vida e fatores genéticos não sejam responsáveis exclusivos pela obesidade, contribuem no sentido de predispor as pessoas a ganharem peso. Isso não quer dizer que a obesidade seja totalmente predeterminada, pois nossos genes não são tão imutáveis como parece. Os sinais que mandamos para esses genes podem ter um enorme efeito em quais genes se sobrepõe aos outros. Esses sinais são as nossas escolhas de estilo de vida e dieta.
Nascimento e Hábitos da Infância
Não se sabe a razão, mas crianças nascidas de cesariana têm maior propensão a serem obesas.(1) Isso também se aplica a bebês alimentados com fórmula, que tendem a ser mais pesados do que aqueles amamentados pela mãe.(1) A razão pode estar na formação inicial da colônia de bactérias residentes no aparelho digestivo, o que pode afetar o modo como nosso corpo reserva gordura.(1, 2) Criar hábitos alimentares saudáveis logo nos primeiros anos de vida pode ser a maior forma de prevenir a obesidade e doenças que a acompanham.(1, 2) Crianças que desenvolvem gosto por comidas saudáveis ao invés de comida processada têm maior chance de manter um peso normal ao longo da vida. Quase metade das crianças obesas continuará obesa na adolescência, e 4 em cada 5 adolescentes obesos serão adultos obesos.(1)
Comidas Processadas "Superpalatáveis"
Comidas processadas hoje são pouco mais do que ingredientes refinados misturados a uma porção de produtos químicos. E não são apenas comidas, mas bebidas também, como refrigerantes e muitos tipos de sucos. Esses produtos são criados para serem baratos, durar bastante na prateleira e ter um gosto tão incrível, tão saboroso, que simplesmente não conseguimos parar de comer.(1) Ao fazer as comidas "superpalatáveis" ou "supersaborosas" os fabricantes garantem que comeremos muito, que compraremos mais para comer tudo e compraremos novamente.
Vício em Comida
Essa comida altamente processada, projetada para ser "supersaborosa", causa uma estimulação poderosa do centro de recompensa de nosso cérebro.(1) Sabe o que mais tem o mesmo efeito em nosso cérebro? Drogas como álcool, cocaína e nicotina. A verdade é que algumas pessoas podem ficar totalmente viciadas nessas comidas. As pessoas acabam perdendo o controle sobre seus hábitos alimentares, assim como um alcoólatra perde o controle sobre o uso do álcool.(1) Isso acontece com muito maior frequência do que você pode imaginar. Você com certeza conhece alguém, por exemplo, que toma aquele famoso refrigerante de Cola várias vezes ao dia. É bem sabido e comprovado que esse refrigerante tem alto potencial viciante. Vício é um assunto complexo com base biológica que pode ser bem difícil de superar. Quem se torna viciado em algo perde sua liberdade de escolha. A bioquímica do cérebro toma conta e começa a fazer escolhas que normalmente não são boas para o viciado.(1) Entre os obesos, 1 em cada 4 pessoas pode ser viciada em comida.
Disponibilidade de Comida
Houve no mundo, nas últimas décadas, um aumento gigantesco na disponibilidade de comida, especialmente comida processada. Postos de gasolina e qualquer lojinha agora oferecem produtos alimentares tentadores, verdadeiras bombas de açúcar, químicos e gorduras, de forma que comer por impulso se tornou extremamente fácil. Outro problema grave é que comida processada é normalmente mais barata do que comida de verdade. Algumas pessoas, especialmente em regiões pobres, nem mesmo têm acesso a comida de verdade. Os mercadinhos dessas áreas vendem refrigerantes, pão de forma branco, doces, margarina, comidas altamente processadas que duram na prateleira. Como isso pode ser uma questão de escolha se na verdade as pessoas não têm escolha?
Educação alimentar errada
Apesar da importância de uma nutrição correta, crianças e adultos geralmente não são ensinados como comer corretamente. Ensinar às crianças quais são os alimentos corretos, a importância de uma dieta saudável e nutrição apropriada, as ajuda a fazer melhores escolhas mais adiante na vida. Essa é a base dos hábitos alimentares que levarão para a vida adulta.(1, 2)
Marketing Agressivo (direcionado especialmente às crianças)
A indústria de alimentos processados é muito agressiva com seu marketing.(1) Suas táticas podem ser antiéticas e eles constantemente anunciam produtos nada saudáveis como se nos fizessem bem.(1, 2, 3) Muito desse marketing é direcionado diretamente às crianças, que estão se tornando obesas, diabéticas e viciadas em produtos que nem deveriam ser chamados de comida. Isso tudo está acontecendo antes mesmo que essas crianças tenham idade suficiente para tomar decisões conscientes sobre sua saúde.
Desinformação
Em todo o mundo as pessoas estão sendo informadas de modo errado ou falso sobre saúde e nutrição.(1, 2) A principal razão para isso é que as grandes companhias produtoras de alimentos patrocinam os cientistas e as organizações de saúde que dão suporte às declarações e ideias mais interessantes do ponto de vista financeiro. O único intuito é nos influenciar com suas pesquisas e recomendações.(1, 2, 3) Até a informação oficial promovida pelo governo parece ser planejada de modo a proteger interesses de empresas às custas da saúde da população. Não vou nem entrar em detalhes sobre o que se diz por aí sobre bacon, banana, leite, sal… Mas adianto que temos sido mal informados tem muito tempo, e o que acreditamos ser verdade não passa disso, uma crença. Uma crença sem base científica.(1, 2, 3) Como então podemos tomar melhores decisões se as informações a que somos expostos estão aí para nos enganar? Felizmente isso está começando a mudar.(1, 2)
Sono
Desde quando é motivo de orgulho dormir pouco? Pessoas que dormem nove horas por dia são chamadas de preguiçosas, enquanto aquelas que em cinco horas já pularam da cama são consideradas bons exemplos. Dormir mal é ligado a doenças cardíacas, diabete e depressão, além de ser um enorme fator de risco para obesidade. Isso mesmo, dormir pouco ou mal engorda!(1, 2, 3, 4) Além disso, a falta de uma boa noite de sono pode nos fazer ter mais fome. Também nos deixa cansados e com pouca motivação para comer direito e fazer exercício.(1) Um estudo revelou que homens jovens mantidos em regime de privação de sono por apenas uma semana desenvolvem resistência à insulina e gastam menos energia quando em repouso.(1) Outra pesquisa sugere que perder apenas 30 minutos de sono por dia pode apresentar consequências a longo prazo para o peso e metabolismo corporais.(1) Durma pouco por apenas 3 noites, umas 4 horas, e o nível de gordura no sangue permanecerá elevado, ao invés de acontecer uma redução gradual durante o sono. Esse nível aumentado reduz a sensibilidade à insulina e leva, com o tempo, à resistência.(1, 2, 3) A privação constante do sono, por problemas respiratórios ou outras causas, pode dobrar o risco de crianças se tornarem adolescentes obesos. Uma noite apenas de privação de sono tem pior efeito na redução da sensibilidade à insulina que uma dieta de "junk food" durante 6 meses. É isso mesmo, não dormir uma noite diminui mais a sensibilidade à insulina do que comer porcarias por meio ano!(1) Estamos dormindo muito menos do que dormíamos no passado, e o problema não para por aí. A qualidade do nosso sono também vem caindo. Sabe onde está o maior problema? Está no uso de luz artificial, telas de computadores, smartphones e televisores à noite. A exposição noturna à luz altera nosso ritmo circadiano, perturba o ciclo natural de dormir e despertar, que é crucial para o bom funcionamento do corpo e mente.(1, 2) Essa luz azulada que emitem acaba contribuindo para a obesidade, nos fazendo mais propensos ao ganho de peso e à síndrome metabólica, câncer e depressão.(1, 2, 3, 4) O bom sono é tão importante quanto uma boa dieta e exercício para nossa saúde, e é tão desprezado.
Poluição
Pois é, agora até respirar engorda!(1) A poluição provocada pela circulação de veículos, a queima de carvão para geração de energia, a fumaça dos cigarros e alguns compostos presentes em certos plásticos, pesticidas e solventes são as maiores fontes de preocupação, com suas partículas minúsculas e agressivas capazes de detonar inflamações generalizadas e alterar o metabolismo e a produção hormonal. No curto prazo os efeitos são mínimos, mas ao longo de vários anos esse contato com poluentes pode ser suficiente para causar doenças graves que vão além dos distúrbios respiratórios comumente associados à poluição.(1) O mecanismo exato ainda está em discussão, mas experimentos sugerem que a poluição do ar detona uma reação em cadeia no organismo. Essas partículas irritantes podem liberar no sangue uma enorme quantidade de moléculas inflamatórias, chamadas citocinas. Isso interfere na resposta à insulina e bagunça os hormônios e o processamento do apetite pelo cérebro. Tudo isso atrapalha o equilíbrio de energia do organismo, levando a uma série de problemas no metabolismo, como a diabetes e a obesidade, além de problemas cardiovasculares como a hipertensão.(1, 2) Os cientistas se preocupam especialmente com os efeitos nas crianças, e alguns chegam a considerar a hipótese de que os poluentes que uma gestante respira podem alterar o metabolismo dos bebês, tornando-os mais propensos à obesidade.(1, 2, 3) Estudos já concluíram que crianças que vivem em área com elevado tráfego rodoviário são mais gordas.(1, 2) Crianças também estão sujeitas à irritação das vias respiratórias e a quadros infecciosos. Em geral, o motivo mais comum é o crescimento exagerado das amígdalas e da adenoide, o que prejudica a oxigenação do organismo como um todo durante o sono. Como já vimos, noites mal dormidas podem levar ao ganho de peso, além de serem a origem de problemas comportamentais e de aprendizagem, como hiperatividade e agressividade. Fique atento, um dos primeiros sintomas é o ronco.(1) Os riscos podem estar dentro de casa também, pois o fumo passivo leva a um aumento de peso mais rápido em crianças e adolescentes. As soluções são conhecidas, mas difíceis de colocar em prática: diminuir a poluição atmosférica, redesenhar as ruas para que pedestres e ciclistas fiquem menos expostos diretamente às emissões, aumentar o número de purificadores de ar em casas, escolas e escritórios. Também se deve evitar o exercício ao ar livre em dias de muita poluição, ou ao menos evitar os piores horários. Não fumar, ao menos dentro de casa, ajuda muito.
Remédios e Condições de Saúde
Muitas doenças e condições de saúde necessitam de remédios para serem tratadas. Infelizmente o ganho de peso é um efeito colateral comum de muitas medicações. Estão aí incluídos os remédios para diabetes, antidepressivos e antipsicóticos.(1) Essas medicações podem aumentar o apetite, reduzir o metabolismo, fazer com que o corpo passe a armazenar mais gordura ou alterar sua capacidade de queimar gordura. Veja bem, não é uma "deficiência de força de vontade" o que é causado pelas medicações. Além disso, algumas condições de saúde podem predispor as pessoas a ganhar peso. Um exemplo é o hipotireoidismo.(1, 2, 3)
Exercício
Você não deveria fazer exercício com o objetivo de queimar calorias. As calorias queimadas durante o exercício são normalmente insignificantes, podem ser repostas facilmente ao comer um pouquinho a mais na próxima refeição. Ou você acredita mesmo que consegue fazer exercício e comer menos? Qual é a chance de que você, com fome, vá ter energia para se exercitar, por anos? Isso não é sustentável.(1) Entretanto, não me entenda mal, exercício é fundamental tanto para a saúde física quanto mental. Exercício, a longo prazo, pode ajudar a perder peso melhorando o metabolismo, aumentando a massa muscular e fazendo a gente se sentir incrível. Mas é muito importante que se faça o tipo correto de exercício. Tempo na esteira ou na bicicleta dificilmente vai dar bons resultados e quando feito demais pode até levar ao ganho de gordura. Quando uma pessoa realiza treinos mais longos, com baixa intensidade (aeróbios), além de ter uma queda do metabolismo, tende a liberar alguns hormônios que podem ser muito negativos para o objetivo de emagrecer. Isso até resulta em perda de peso, mas da pior forma possível. Veja bem, o que se está perdendo nesse caso é a massa magra, os músculos. O efeito é pequeno sobre a gordura corporal. Já os exercícios de curta duração e alta intensidade são o oposto dos aeróbios. Levam não só ao consumo energético durante a atividade física (que normalmente é menor do que em exercícios prolongados), mas têm influência também nos períodos de recuperação pelos estímulos hormonais que ocorrerão. Ocorre queima de calorias por muitas horas após o exercício, assim como ativação de enzimas ligadas à utilização da gordura corpórea como energia, além de melhora da resistência à insulina e de outros indicadores importantes de saúde.(1, 2) Musculação com cargas altas aumenta a massa magra e influencia de modo positivo nos hormônios, o que ajuda muito na perda de peso. Trabalhos com elevadas repetições, baixos níveis de esforço e baixas cargas não são um bom caminho. Treinos intervalados de alta intensidade são uma excelente maneira de entrar em forma que ainda por cima melhoram o metabolismo e aumentam os níveis de hormônio do crescimento, tão importante para uma vida saudável. Além de mais efetivos, treinos intensos têm menor duração e menor frequência semanal. Como a falta de tempo é um dos maiores motivos para o sedentarismo, esses treinos são a solução ideal para perda de gordura, além de aumentarem a chance de adesão a programas de exercícios. Pode tentar, mas você não consegue correr mais do que uma má dieta.(1, 2)
Estrogênio e Testosterona
Estrogênio é o hormônio sexual feminino, secretado pelos ovários. Umas das funções desse hormônio é influenciar uma enzima chamada lipase lipoproteica - LPL -, que por sua vez "puxa" gorduras da corrente sanguínea para dentro de qualquer célula a que esteja ligada.(1) Quando os níveis de estrogênio estão normais, a atividade da LPL é controlada e o corpo acumula pouca gordura. Mas se há pouco estrogênio há também mais LPL nas células de gordura, o que faz com que o corpo acumule gordura demais. É isso que faz engordar as mulheres que tiveram os ovários removidos ou passaram pela menopausa.(1, 2) O hormônio sexual masculino, testosterona, age da mesma forma, mas a LPL apresenta maior ação nos tecidos gordurosos da barriga. Após as menopausa a atividade da LPL na região abdominal das mulheres se equipara à dos homens e elas começam a acumular gordura ali também.(1, 2)
Poderosos "Hormônios da Fome"
Fome e alimentação descontrolada não são causados simplesmente por gula ou falta de força de vontade. A fome é controlada por hormônios muito poderosos, envolvendo áreas do cérebro responsáveis por desejos e recompensas.(1) Grande parte dos obesos tem a secreção e/ou recepção desses hormônios desreguladas, o que altera o comportamento alimentar e faz com que a vontade de comer mais e mais seja quase irresistível.(1, 2, 3) Quando comemos nosso cérebro secreta dopamina e outros químicos que nos dão prazer. Esta é a razão pela qual a maioria de nós adora comer. É um sistema que evoluiu para garantir que comêssemos o suficiente para ter toda a energia e nutrientes de que precisamos.(1, 2, 3) Pois a comida industrializada é feita de uma forma que acaba liberando muito mais desses hormônios. Assim sentimos muito mais fome e prazer do que seria normal, levando a um ciclo vicioso.
Resistência à Leptina
Leptina é um hormônio importante na regulagem do apetite e metabolismo.(1) É produzido pelas células de gordura e sua função é sinalizar ao cérebro que estamos "cheios" e devemos parar de comer. A leptina regula, assim, a quantidade de comida que ingerimos e a energia que gastamos, além de quanta gordura armazenamos.(1) Quanto mais gordura uma célula de gordura tiver, mais leptina vai produzir. Então pessoas obesas produzem grandes quantidades de leptina e deveriam se sentir satisfeitas antes, correto? Assim não comeriam tanto. Acontece que obesos tendem a ter uma condição chamada Resistência à Leptina, uma das principais causas da obesidade. Ainda que seus corpos produzam muita leptina, o cérebro não recebe essa informação de forma correta e "pensa" que está passando fome, mesmo tendo armazenada mais gordura do que precisa.(1) Isso causa mudanças fisiológicas e de comportamento, numa tentativa de armazenar a gordura que estaria em falta.(1) Aumenta a fome e o gasto de energia diminui, de modo a prevenir a desnutrição. Usar a "força de vontade" contra os sinais de fome e preguiça que se instalam é quase impossível para muitas pessoas. Alimentação exagerada e preguiça não são causas do sobrepeso, e sim consequências ou sintomas. Você não engorda porque come demais e gasta energia de menos. É o contrário: você come demais e gasta menos energia porque está engordando.
Insulina
A insulina é outro hormônio extremamente importante, que regula entre outras coisas o armazenamento e produção de energia. Seu papel principal é regular a quantidade de nutrientes circulando na corrente sanguínea. Embora regule principalmente o açúcar no sangue, também afeta a queima de proteínas e gorduras.(1) Ela faz nosso corpo guardar energia nas células de gordura e impede que as células musculares queimem gorduras da corrente sanguínea, queimando apenas açúcares. Qualquer gordura que conseguir escapar das células para o sangue acaba sendo armazenada novamente em alguma célula de gordura. Devido a várias razões, às vezes as células param de responder da forma esperada à insulina, ou seja, se tornam "resistentes" à insulina. O corpo então produz mais insulina, para que as células respondam da forma esperada, o que faz piorar essa "resistência" das células. Com o tempo o problema leva a danos no pâncreas - que produz a insulina -, altos níveis de açúcar no sangue - o que é tóxico - e diabetes tipo 2, entre várias outras doenças graves.(1, 2) Os níveis elevados de insulina no corpo fazem com que os nutrientes sejam seletivamente armazenados nas células de gordura, levando ao ganho de peso e obesidade. A Resistência à Insulina tem como principais causas a alimentação exagerada, ganho de peso, obesidade e gordura visceral - a famosa barriga de cerveja. Entretanto, pessoas magras também podem ser resistentes à insulina.(1, 2, 3) Há outras várias potenciais causas, entre elas problemas com as bactérias benignas do nosso sistema digestivo, o alto consumo de frutose, inflamações, e falta de atividade física.(1, 2, 3, 4, 5) Se você tem sobrepeso ou é obeso, especialmente se tem muita gordura na região da barriga, se tem baixo HDL - o "bom" colesterol - ou triglicerídeos acima do normal, as chances são de que você seja resistente à insulina.(1, 2)
Açúcar
Por fim, o pior componente da dieta moderna. Quando consumido em excesso, o açúcar muda a bioquímica e hormônios do corpo, contribuindo em muito para o ganho de peso e todos os males que se seguem. O açúcar adicionado aos alimentos processados - basta ler o rótulo, é de assustar como quase tudo tem adição de açúcar - é metade glicose e metade frutose. O maior problema está na frutose, que em excesso causa elevação dos níveis de insulina e resistência à insulina, pode causar resistência à leptina e não sacia da mesma maneira que a glicose. Isso acaba contribuindo para o armazenamento de energia nas células de gordura e obesidade.
Para Pensar
Não use este texto como desculpa para desistir e decidir que o seu destino é mesmo ser gordo e doente. O meu objetivo com o texto é mostrar às pessoas quais são os verdadeiros fatores responsáveis por essa epidemia de obesidade. Não é uma questão de "culpa individual", preguiça ou gula. A não ser que haja uma condição de saúde, o controle do seu peso e gordura ainda está em suas mãos. É possível emagrecer e permanecer magro. A informação para isso está cada vez mais disponível, basta estar aberto, se perguntar se o que você vem fazendo é o correto ou está levando a engordar e adoecer. Normalmente dá trabalho, não é fácil, requer algumas mudanças de estilo de vida, mas muitas pessoas têm sucesso mesmo tendo muitas coisas contra elas. Você também pode vencer este problema. Ah, ok, os obstáculos! Todos têm obstáculos. Verdade. O Obama tem, o Guga tem, a Fátima Bernardes tem. Até eu tenho obstáculos, imagina só! Só porque as pessoas são bem-sucedidas não quer dizer que não tenham suas pedras no caminho. Agora, o que essas pessoas fazem é superar. Elas superam os problemas e obstáculos. Ninguém nasce um sucesso. Ninguém é bem sucedido logo no início. Ok, ok, algumas pessoas têm uns obstáculos um pouco - ou um tanto - maiores. Mas isso é irrelevante, isso é só um teste. Família, dívidas, três empregos, quatro filhos, pé quebrado, ou mesmo dormir no chão da sala de um amigo. Ou pior, a gordura é tanta que fica difícil caminhar até a porta, você está desempregado e tem um cunhado maluco que te enche a cabeça e atrapalha a vida 24 horas por dia. Tá tudo bem, você nasceu para vencer. Isso tudo é só um teste. A pergunta importante aqui é a seguinte: você vai superar esses obstáculos e sair dessa mais forte? Ou vai ficar na mesma, seguindo o padrão de sempre, esperando lá no fundo que um dia tudo melhore mas na verdade vendo o barco afundar? É contigo determinar se esse obstáculo é algo a ser superado. Faz o seguinte, repete comigo: "Essa m**** é temporária, eu vou superar!" Eu gosto muito de uma pequena frase em Inglês, "relentless forward motion". Quer dizer Movimento à Frente Incansável. Ou seja, superação pura, sem se entregar, sem desistir. É focar em um objetivo e não parar até alcançá-lo. Não estou tentando dar uma palestra motivacional aqui. Estou só te dando a real. Se decidiu fazer algo, superar algo, não desista. Simples assim.
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